Wednesday, November 28, 2007

Por favor os rogamos que mantengan sus pertenencias controladas --- Please do not leave luggage unattended

Ás vezes dou por mim ja com vontade de estar num aeroporto. So estar e saber que isso significa que vou viajar deixa-me (em geral) mais contente. Obviamente que ha voos melhores que outros – os das férias, os de volta a casa, os de estar em passeio – mas a verdade é que estar no aeroporto é como sentir-nos um pouco cidadaos deste mundo novo e globalizado em que vivemos.

Nao ha comparacao entre o que eram as oportunidades disponiveis na geraçao imediatamente anterior e a nossa no que respeita a este nivel de conhecimento do nosso planeta. Hoje podemos facilmente juntar algum dinheiro e alme de conhecer meia Europa, ir a Nova Iorque ou às Caraíbas, sem que isso signifique um gasto exxcessivo para os nossos bolsos. Antes estas ideias eram sonhos. As pessoas conheciam muito menos o mundo e as civilizaçoes. Eis um ponto em que o mundo global nos fulmina, tal e qual como a net nos transformou a todos.

Mas apesar deste sentimento de (pouco?) natural felicidade em estar num sitio de transito como é um aeroporto, a verdade é que também nos cansamos disto. É uma vida que nos leva a desgaste mas se virmos em perspectiva trata-se tao simplesmente de mais uma forma de viajar; se andarmos todos os dias de carro como um grande amigo meu, com certeza absoluta a nossa propensao a conduzir sera menor ou entao ja somos quase letargicos no que toca a reagir contra esse instinto de pegar no volante.

Bem, mas na realidade ha mais algoa dizer para alem do desabafo comum de um “emigrante” mais neste mundo. E tem a ver com Aeroportos. E tem a ver com o que eu como outros tantas vezes tentamos lutar para que nao seja a imagem que passa de Portugal.

Li hoje no Público (http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1312091&idCanal=57) que pela segunda vez uma alternativa ao projecto do novo aeroporto (Desta vez o ja famoso Portela +1) pouparia mais de 2 mil milhoes de euros ao Estado.
Ou seja depois do ja inusitado desproposito de so agora termos conhecimento de uma opcao de Alcochete supostamente mais barata, acreditando nos estudos, eis que uma vez mais fico sem perceber uma simples coisa: Porque nao se estudam ao pormenor estas decisoes estruturais em Portugal? Porque é que as soluçoes aparecem a conta gotas, por força de estudos encomendados por grupos de lobbying? Sera que é porque também a primeira soluçao apareceu do lobbying de alguns mais expeditos? Talvez. Mas nao só.

Aqui vale a pena dar o credito ao governo actual por ter decidido... Decidir! Ou seja andamos nisto do aeroporto há anos, todos os que vamos à Portela sabemos que esta um caos, mas ninguem nunca quis aprofundar o tema. A Ota ja era uma certeza no pale, faltava o que falta quase sempre em Portugal...definir como trazer a pasta para por o prjecto a andar. Porque se fossemos ricos ja tinhamos feito, nao 1, mas 3 aeroportos e ninguem ficava chateado.

Pessoalmente acho que ha que por os olhos no que os outros fazem de bom. Madrid é um exemplo de crescimento sustentado em muita coisa feita em funçao de um quase Keyseniano projecto de obras publicas sustentado em redor de imensas infraestructuras como as circulares que se sucedem e ligam cada vez mais as periferias ao centro ou mesmo o maravilhoso T4 que tornou a concorrencia entre low cost e a operadora de bandeira num factor de efectiva visibilidade.

Obviamente o mercado em Portugal é mais pequeno, ha mais interesses a defender em termos relativos, e a propria concorrencia neste sector por exemplo ja foi eliminada, por força do necessario processo de sobrevivencia da TAP.

A questao poe-se...e quando houver um novo aeroporto?

Obviamente esta semana o CEO da transportadora nacional veio manifestar a sua satisfaçao por se estudar a possibildade de o novo aeroporto ser a opçao Portela +1 sendo que neste cenário o novo aeroporto ficava para a TAP e o resto se deixava para as demais trasnportadoras. Assim eu acho que se compreende que mais vale ter uma Portela +1 que uma Ota ou um Alcochete que so fomenta que a TAP acabe com o tempo por ter que se por em concorrencia directa com mtas empresas ao mesmo tempo, muitas delas cada vez mais num mercado de low cost que tal como em Espanha, esta a alavancar todo o mundo da aviaçao civil que de outra forma hoje por hoje chorava baba e ranho por um entorno de preços de petrole como o que temos e o que se afigura (um economista – Michael Lewis - de reconceituado banco europeu – Deutsche Bank -afirmava que o petroleo causaria problemas sim, mas a partir dos 125 USD e que todas as outras commodities seguiriam causando estragos - http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&CpContentId=306574 -
veja-se o caso dos cereais...que por paradoxo esta também em parte ligado às alternativas ao petroleo e ao seu desenvolvimento como sejam o etanol ou o biodiesel) cada vez mais negro.

Em conclusao, acho que devemos seriamente ponderar sobre o que fazer para mudar a forma como decidimos em Portugal. Optar por uma total transparencia em Portugal, com toda a sinceridade e objectividade do mundo, parece-me, e que me perdoem os que acham que nao, ainda um puro eufemismo de linguagem politica populista. Os interesses de pais casi-periferico nao o deixariam passar de boas intençoes. Entao que soluçao ha? A Mafia das decisoes? Uma oligarquia de supra sumos sapientes? Acho que talvez nao seja de descartar uma via de processo e regulamentaçao objectiva e desempoeirada.

Um think tank efectivo onde se tente promover a busca pelos melhroes tecnicos. Um conjunto de pessoas com o senso comum mais que tudo o resto ultra apurado e que nos possa dar uma resposta em tempo util e com justificada argumentaçao, economica e tecnica.

Custara sem duvida menos que o tempo de indecisao, os muitos estudos realizados e as infindaveis horas de reuniao que em Portugal tanto parecem gostar aos decisores em geral.

Fasten your seat belts, please. We are passing through a turbulence area.