Friday, September 21, 2007

Sir Mourinho

É inacreditavel a chuva de elogios de fans de outras equipas na Premier League que tem ocorrido nas ultimas horas desde a manha de ontem.

Jose é realmente Special. Alem do seu temperamento que pode ser o de qualquer um de nos o que o diferencia é a atitude. Proactiva, ganhadora, ambiciosa, congregadora de objectivos, mas acima de tudo (above all) inspiradora e líder de homens. Mourinho é um Treinador. Ou seja ate que Capello (talvez o unico com quem se possa rivalizar em atitude e liderança, ainda que com um genio muito diferente, nao fora a sua origem mais feudal italiana) apareceu nao havia na minha cabeça no quadro dos grandes treinadores mundias de futebol um exemplo de liderança a todos os niveis do trabalho que estes desempenham. Mas mesmo assim a Capello falata algo. Faltavam em verdade duas coisas, Alma e Clarividente noçao do mercado de futebol (“its the economy, coach”).

Mourinho, com todos os defeitos que possa ter (e tem, a começar o defeito que lhe impos quem o afastou do Benfica antes de tempo que foi o de nao ser o Benfica quem ganhou a Champions mas o Porto – daria igual para ele porque as omoletes seriam iguais e os ovos ia busca-los onde fosse se nao ao mesmo sitio exactamente como o fez no clube portista), revolucionou por completo o Jogo. Um treinador deixou de ser visto como o que vai fazer fretes para as Conferencias de Imprensa da Champions. Faz mind games. Retira toda a pressao do clube, dos jogadores e dos adeptos e assume-a. Isto é o que grandes lideres empresariais fizeram e fazem. Jack Welch, Lou Gerstner, Carlos Ghosn sao exemplos disto. Todos tiveram que ser “petulantes” quando foi necessario. Mas todos assumiram o risco e deram a cara. Mas alem de coragem tinha cabeça e sabiam onde e como chegar onde ambicionavam.

Mourinho interrompeu uma serie de 50 anos sem que o Chelsea ganhasse uma liga. Vamos parar para pensar no que significa isto. Ha 50 anos atras nao havia o dinheiro e os mega clubes que ha hoje. A Premier League (PL) era um campeonato entre muitos, muitos que como o Chelsea andaram depois perdidos por divisoes inferiores. Mas mais...no passado recente ja muito dinheiro (russo ou nao) tinha chegado a Stamford Bridge para comprar craques. Rainieri saiu como um derrotado sem nunca ter conseguido uma vitoria que ficasse para a historia.

Primeiro ano de um Português em Inglaterra ao comando do clube com mais gastos na contrataçao de jogadores e Jose cumpriu. Fez o delivery. Segundo ano igual. Depois começa a fantasia dos meninos ricos que sonham ser tudo na vida: todos nos sabemos que a Russia passou demasiado rapido demasiado mal (too fast too badly) de uma ditadura de esquerda comunista a uma anarquia a uma oligarquia desfragmentada e sem objectivos e referencias politicas ou sociais. De quem é a culpa? Nao sei, talvez de Marx e Engels, mas deixemos os “moços” descansados por este post. Quem capitalizou (de capitalismo e de ganho) com isto foram os que tinham o privilegio (por familia, dinheiro, conhecimento, inteligencia e/ou acesso a informaçao priveligiada e nao publicamente disseminada) de saber que todos os activos do Estado Russo iam ser vendidos ao desbarato, pelo que interessava por mao na massa para os comprar antes que viessem os (ainda) “inimigos” americanos. Ieltsin so é o mais odiado russo de todos os tempos (imediatamente a frente de Gorbachev) porque quem agora toma o poder teve de convencer que assim era...e em parte foi. Foi porque ha sempre que ter um enimigo...ainda que invisivel para justificar qq coisa que se passe em Moscovo.

A verdade é que ex-jogadores e campeoes mundiais de Xadrez, ex-professores cerebros de matematica e ex-miudos de classe média semi-erudita foram quem ficou com o “tesouro”. O Senhor Abrahma nao fez nada de muito criativo em seguida. Fugiu. Como todos. O unico que quis lutar por uma Russia que batalhasse desde dentro com outras potencias e mercados capitalistas (Yukos, ver historia completa) foi preso. A ver vamos se nao é morto.

Mas deixemos a politica e prestemos atençao ao que interessa: liderar pessoas.

Muitos exemplos ha de gente que o fez ao longo da historia mundial e da do futebol de forma indescritivelmente boa. Mourinho é mais um.

Jose percebeu que um clube tem de ser um gerador de resultados – futebolisticamente e financeiramente. Percebeu e fez perceber aos jogadores onde esteve que nada se consegue sem esforço e (sobretudo) dedicaçao, muita ao trabalho e ao clube. Espero ansiosamente para ver onde jogarao Lampard, Drogba, Carvalho ou Essien. Ja nao vou esperar por Ballack ou Sheva, porque talvez nao haja tempo. Mas em frente.

Quem ganha merece tudo, diz-se em futebol. Ao inicio diziam que Mourinho so jogava para 1-0, que so defendia, que era um campeao de pilro porque tinha-se enfocado em ser uma defesa super segura e nao demosntrava futebol de ataque. Segundo ano mais calmo, passearam classe (a mesma defensiva de um ano antes) e tudo mudou. Caíam elogios de todo o lado. Finalmente veio o senhor que aparece em todos os jogos no Camarote dizer que nao estava contente porque nao fazia ele a equipa...nem decidia quem era titular.

Contrataram-se todos os melhores quadros directivos de Inglaterra a nivel futebolistico (Kenyon, Arnesen, etc.) primeiro e logo depois, porque nao chegava, trouxeram-se os amigos para controlar o poder de quem efectivamente (e justamente) mandava.

Nao vou abordar a tematica do portugues que foi humilhado tantas e tantas vezes por tantos e tantos agentes do mundo desportivo em Inglaterra e fora dela nestes 3 anos. Entao no inicio, como sempre que algum Portugues se destaca fora, fala-se de um modo diminuido, como se fossemos deficientes nao fisicos mas socialmente e de como o(s) sucesso(s) sao tao inesperados...Mourinho tinha ganho a Champions, mas nunca ganharia a PL. Depois nunca ganharia duas vezes seguidas. Depois finalmente nunca voltaria a ganhar a Champions (esta vamos ver...como dizem os Espanhois).

Mas vou sim falar do poder de transformaçao e superaçao que Mourinho incutiu a todos aí e antes onde esteve tempo suficiente para fazer “A” diferença.
Lampard, Terry, Cole, Drogba, Carvalho, etc... passaram de semi-vedetas a estrelas planetarias. Alvos de cobiça mundial por todos os Abramas e clubes do mundo. Mas sobretudo passaram a ser melhores homens, jogadores, colegas.

Sao “grandes” como se diz qui. Grandes homens. Lutam, ate ao ultimo minuto ainda que estejam condenados a nao ter o que querem nemq ue seja por uma unha.

Terry fazia jogos a ponta de lança durante 90 minutos se fosse preciso. Lampard jogou varias dezenas de jogos lesionado. Cech, Cole e Carvalho muitos nos limites. Todos jogaram sempre com um olho na bola e outro no emblema que levavam no peito a esquerda.

Mourinho nao é um tipo de treinador que se possa substituir. Pode-se fazer um “luto” em resultados e recomeçar. Tem um estilo, uma ideia, um objectivo a longo prazo. Mesmo treinadores bons como sao Guus Hiddink ou outros mais, nao sao tao ambiciosos neste ultimo capitulo enquanto toca aos homens que lideram e á sua formaçao pessoal.

Nunca falei com Mourinho, nem sei se alguma vez falarei. Sim gostaria muito. Obvio. Sou Portugues e alem disso sou um apreciador de futebol Mas sou antes de mais e de tudo um apreciador de lideres, de pessoas que motivam, que sabem dirigir que sabem trasnformar os mais inesperados em estrelas de uma constelaçao inaudita.

Sou um fa do trabalho dos homens. No futebol, nas finanças, na vida.
Por isso venero o meu Pai. Foi e é todos os dias o “meu” Mourinho.
Por isso abraço os meus Amigos. Sao a minha vontade de seguir “adelante”.

“Na vida ha dois tipos de pessoas”, dizia Clint Eastwood num dos seus mais epicos filmes. Adaptarei um pouco o resto da frase, se nao se importam: há as que levam os outros a serem melhores pessoas e melhores no que fazem e há as que simplesmente fazem.

Abaixo deixo para a posteridade e em Ingles da sua majestade as reacçoes de alguns ingleses de menos interesse (o actual primeiro ministro Gordon Brown, por exemplo, coisa pouca para o “Portugues”, como nos todos!).

We will miss you in this language Jose.
Tenho a certeza que nao demoraras tempo a ter outro idioma para comunicar connosco.

Um abraço de “Outro” Português.

Ferguson pays tribute to Mourinho

Man Utd manager Sir Alex Ferguson has said that Jose Mourinho's departure from Chelsea is a "disappointment" for the game of football.
United host Chelsea this Sunday at Old Trafford and Ferguson said he would miss the "personal challenge" he used to enjoy between himself and Mourinho.
"He was terrific for football and terrific for Chelsea," said Ferguson.
"He brought something fresh and new to our game and I enjoyed the competition with him - I wish him well."

Ferguson and Mourinho first went head-to-head when the Portuguese masterminded Porto's surprise victory over Man Utd in 2004's Champions League.
Since then the pair have enjoyed a very competitive relationship but one that had an underlying level of respect.
"He [Mourinho] enjoyed unparalleled success there, without question," said Ferguson.
"It is a big test for whoever replaces him - and at the moment that is Avram Grant."

The news of Jose Mourinho's departure from Chelsea has been met with disbelief within and outside the football fraternity.

The 'Special One' helped Chelsea win two Premier League titles, two League Cups and an FA Cup during his spell in charge at Stamford Bridge.


Now one of the finest managers in the game finds himself unemployed.



Below is a pick of the reaction to the news:


606: DEBATE
It is a move that will provoke widespread despair among Chelsea's fan base

BBC's Phil McNulty

"The Prime Minister is a football fan and somebody who enjoys watching Premier League games, so he knows Mourinho has a fantastic record of success.

"He's made a significant contribution to British football in a short period of time and he's also one of the great characters of the game."
A spokesperson for PM Gordon Brown

"It's a surprise for everyone not only me. He has been very successful and I don't why he has left.

"The Premier League will be losing one of its biggest characters. He has been colourful in the press conferences and I had a good relationship with him in the England job."
Manchester City boss Sven-Goran Eriksson

"Once you take away the authority the manager has in signing players, you're on a slippery slope.

"What I would say about Mourinho is his record is with underachieving players and when Andriy Shevchenko and Michael Ballack came in, it disturbed the balance.

"They've never looked as fluid and that's because the manager probably did not himself believe that is the way they should be playing."
Former England boss Graham Taylor

"I always thought it was just waiting to happen. It seems everybody wants to run the team there and eventually it's going to come to a head.

"They keep saying they want to play entertaining football but Mourinho has always been a guy who thinks points, 'I'm not bothered about entertaining'.

"Abramovich has put millions and millions into that team and I think he wants to see a team that gets everybody on the edge of their seats."
Former England international Chris Waddle

"I think that half the team will have been affected badly and it's going to be hard to get that team spirit that Jose managed to manufacture."
Former Chelsea forward Gavin Peacock

"I'm absolutely astounded at what's happened.

"Winning football matches is what the game's about and he is a winning manager who puts a winning mentality in players' heads and they go and win things."
Former Chelsea captain Ray Wilkins

"The man is a superb coach. He'll be hugely missed and took Chelsea to a level they could have dreamed of a few years ago. He will be hugely missed."
Former Chelsea player Pat Nevin

"Prendas"




O brillante anuncio da Caixa com Scolari dando nota do que é o diferencial linguistico de 2 povos que falam a mesma lingua, cativa-me a escrever sobre outras diferenças mais engraçadas e que acabam por tornar o meu dia-a-dia uma profusao de idiomas que o cerebro se vê obrigado a tratar.

Se alguem for falar com um Espanhol e lhe disser que lhe vai dar uma prenda, seguramente que ele nao o vai perceber. Ou melhor nao é que nao possa ser algo que aconteça, mas a verdade é que se ira por com pouca curiosidade. Uma prenda para os Espanhois é um artigo de roupa, umas calças, um vestido, uns calçoes. Ha un conjunto de otras palavras cujo sentido e conotaçao muda radicalmente entre Espanhol e Portugues...mas la chegaremos ate porque cada uma tera normalmente um episodio associado que é engraçado de descrever como ilustraçao.

Neste caso o espisodio é um eufemismo sobre “Prendas” que se passou no Santiago Barnabéu anteontem. Fui ver o jogo do Real Madrid com o Werder Bremen com um colega (fanatico do Madrid por sinal). Tinha saido do Banco sozinho e combinamos “quedar” em Cuzco, porque ele ia estacionar ai. Eu levei o meu livro sobre os Irmaos Dassler que estava prestes a terminar e deixei passar a estaçao de Cuzco, pelo que sai mesmo no Estadio. Pior nao podia ter feito.

Esperei bastante pelo meu colega e depois de ja estarmos 20 minutos atrasados porque as caixas automaticas do estadio nao funcionavam por falta de papel (e falam de Portugal como se tudo de mal se passasse em Portugal...em frente) dirigimo-nos para a entrada. Pois foi-me dito que nao podia levar o livro – achei logico e ja tinha pensado nisso. O meu colega defendeu à “torero” que nao era normal e começou ali uma espécie de luta de galos à antiga que quase, quase se passou a cena de pugilato. La deixei o livro com o senhor que nao era segurança (da empresa habilitada para isso) mas antes um dos capangas que o clube tem nas portas para “remediar” situaçoes de conflito (ou sera para as provocar?) dizendo-me que nao se responsabilizava por ele. Repetiu varias vezes. Percebi o que queria dizer, depois de quase se ter pegado com o meu colega, de certeza que nao ia ter livro quando voltasse. Assim foi. Perguntei-lhe educadamente como tinha so desaparecido o meu livro (havia mais no mesmo sitio) e disse-me que me tinha avisado que nao se responsabilizava.

Obviamente neste episodio algo me deixa triste e algo me deixa contente. Triste, porque alem de perder o livro nao acabei as ultimas 10 paginas que me restavam. Contente por imaginar que alguem podera tirar algum prazer de um instrumento de cultura cada vez mais desprezado nesta era em que a informçao tem a tendencia para ser exposta por meiso como o que estao neste momento a utilizar!

Ja agora aconselho o livro (nao sei se ha sequer ediçao portuguesa, mas se nao ha candidato-me ja a traduzir)...Irmaos de Sangue, Barbara Smit. Jornalista cujo o sentido de percepçao empresarial esta muito acima da média e que nos dá um relato fantastico das origens e evoluçao do mundo das marcas desportivas em geral e das duas marcas alemas Adidas e Puma em particular!

Bons livros!

Tuesday, September 18, 2007

Finanças “Corporativas”


A vida é realmente uma mistura de muitas emoçoes e caminhos. Disseram-me um dia que no meu percurso profissional deveria ter em atençao os meus interlocutores e o modo como queria que essa interlocuçao ocorresse.

Estavam muito correctos.

A primeira figura que ficou no meu caminho gravada está no mesmo sitio exacto onde a conheci. A dar aulas, a fazer de miudos imberbes e sem a minima noçao de nada do que é finanças, incautos e desprevenidos aspirantes a analistas de banca de investimento. Sem este senhor nao estaria onde estive nos ultimos 6 anos. A ele ja lhe agradeci e voltarei com certeza a agradecer e a debater mais novos desafios. Merece.

Contudo nem sempre ganha. Exemplo foi a tentativa (frustrada pelas nossas provincianas pretensoes de ser antes de acontecer) de tornar um MBA multilateral entre as mais prestigiadas escolas de negocios em Portugal numa referencia alem fronteiras. Desastre. Interesses, partidas, dissabores. E este homem, para quem nao ha muitos segredos do que é ensinar e alem disso ensinar bem alunos e seres humanos, foi uma vez mais (como em algumas outras num mundo academico algo frenético e desejoso deste tipo de “zaragatas” e picuinhices) de um certo ponto de vista mal tratado. Nao importa como e muito menos por quem. Importa que nao valorizamos o que de mais precioso temos: quem ensine a pensar a vida como ela é, ou seja, com vicissitudes e nao saída de uma sebenta ou livro de estudo americano.

Contudo este nao é exemplo único.

Faz agora muito pouco tempo (na realidade apenas um par de dias) que a seguinte figura marcante neste meu (ainda) breve percurso se viu a desenlaçar um final de episódio de uma maneira que a mim me custa.

Na realidade nao me importa muito, uma vez mais e perdoe-me quem lê que insista, estas picuinhices do Portugues mais “erudito” que acha que parece bem a forma e que despreza o conteudo bem como o que de bom se faz ou se pode fazer.

Tal e como conheci esta figura, estavamos a atravessar um dos momentos mais marcantes da historia comtemporanea politica e financeiramente. As torres vieram abaixo e com elas (ou sem elas) a economia, que desde um ano antes ja estava na “calle” por força dos business plans’ atirados para a lua de empreendedores de cadeias de lojas que com toda a certeza se imaginavam a vender activos mais valorizados que diamantes em estado puro em Amsterdao. Mas quis o destino (sera mesmo isso ou foi apenas o que chispou de contactos previos e mutuo reconhecimento de “genes de entorno”?) que ficasse a fazer parte da sua equipa de trabalho durante este meu “debut”. Nao esqueço o que aprendi e o que me marcou sobretudo na astucia e no “self-drive” que dia apos dia me foi sendo incutido mais ou menos proactivamente, ou ainda assim, que muitas vezes desejado por mim.
Hoje parece ser um pouco consensual entre muitos que nao deve haver espaço a mentes que “pensem diferente”. Temos de passar a imagem do mesmo e se o conseguirmos enganando a todos dizendo que é diferente mas sendo na realidade igual, entao temos ai o nosso (meu?) “inimigo” social.

Ha um excelente slogan, que muitos dirao ser presunçoso, de uma grande companhia que suporta que “great minds think alike!”. Eu corroboro. Mais que uma afirmaçao de competencia ou inteligencia, esta é a expressao da capacidade de obter resultados.

A raiz de alguns deste comportamentos “carneiristas” e “cinzentoes” parece-me ser o medo de que nos apontem o dedo (e claro a incapacidade de muitas vezes responder).
Nao defendo o lascismo com que por exemplo em Italia tanta e tanta coisa se permite a tanta gente. Mas com certeza nao me parece que avancemos por muito que nos obriguemos a ser o que nao somos: formatados.

Os ingleses como povo poder-se-ao dar ao luxo de formatar muitos comportamentos e achar inusitados certo tipo de comportamentos. Mas nao me parece que sejam (e nao sao) os mais cinzentos a pensar no que com ORIGINALIDADE se pode fazer em cada campo de actuaçao das nossas vidas. Com certeza nada disto desculpa os erros. E ha que assumi-los quando os há. Mas valerá a pena obrigar a cumprir “penitencias” a quem é agnostico geneticamente e por via do seu “upbringing”? Valerá mais que imponhamos regras a todo e qualquer caso sem olhar a que para que as mesmas se cumpram é necessario muitas vezes esticar a corda e ver como se pode actuar com a mesma muito danificada? Será que tudo o que fazemos tem um objectivo de rectidao?

Ok, nao deveria ter este discurso porque “al mejor” estou a incutir o culto pelo desrespeito pelas normas. Senhor “eu sou melhor que o meu colega que agora nao faz parte da minha equipa de negocio pessoal e bem sucedido”: nao é so ser inteligente como nos estudos que conta. É a inteligencia de viver, de saber lidar com as pessoas que mais conta.

Por estes dois exemplos tenho pena que sigamos o caminho batido de tantos e tantos outros tempos: nao deixar que atalhos tomados possam tornar-se em obstaculos a erguer para percorrer caminhos maiores e com menos resultados. Familiarmente sei bem o que isso é. Estive la. Vivi. Nao vale a pena contrariar a multidao. Vale a pena dar-lhes o que querem e instigar por dentro a revolta. Talvez assim, como em muitos outros casos na historia da humanidade, algo mude e nem tudo fique na mesma.



Um abraço ao Professor e outro ao Socio que o deixou de ser, mas só no papel.

Os 60 anos inauditos de historia (1580-1640) “y” outros piropos actuais


Começo este post com uma historia rocambolesca passada no aeroporto de Lisboa.
Como sempre nas ligaçoes de Lisboa a Madrid o voo atrasou. Uma hora. Duas horas.
Decidi-me pois a comer algo e optei por um “bocadillo” por nao me querer meter mais na gordura grauita das pizzas e hamburguers. Ok uma opçao dir-se-á.

Obviamente os meus mais directos “competidores” clientes eram “nuestros hermanos”, ou melhor, neste caso concreto, nuestras hermanas uma vez que eram 2 raparigas e 2 senhoras a rondar os 40 ou 50. Esperei pacientemente que a unica rapariga (Portuguesa) que estava de serviço ao balcao me atendesse, ao mesmo tempo que tentava ela dar vazao aos clientes todos que tinha. Estavamos neste introito do meu “petit” repasto, quando uma das jovens mais desesperada (ou porque o seu “vuelo” estava ja muito “retrazado” ou porque nao conseguia estar na fila e ter os olhos no écran de televisao onde se transmitia a final do Eurobasket) resolveu pressionar a empregada (diga-se que com alguma razao...): “Nao nos pode dar mais uma bandeja...? Nao ve que uma so nao chega? Uffff”, tudo isto em espanhol que nao me atrevo a traduzir ja que Cervantes de certeza sairia da tumba para me matar. A empregada “enfadada” disse em portunhol “nao querem mais nada? Nao querem mais nada?” e a tensao começou a elevar-se. Em bom momento intervieram as pessoas de mais consciencia ao lado e disseram as duas jovens que havia que nao ser tao picuinhas porque a pobre criatura estava sozinha a dar conta de tudo e provavelmente estava cansada. Alto!!!! Porque aqui é que bate o ponto.

Ora foi por esta observaçao (supostamente desconotada de nacionalismos) que uma das jovens resolveu saltar á coacçao com um juizo nacionalista do mais prodigioso que ouvi em tempos recentes: “Cansada??? Hummm como pode ser que esteja cansada se está em Portugal?”.

Bem obviamente qualquer se desespera por ter que esperar por avioes, quanto mais as 22h da noite para trabalhar no dia seguinte. Mas todos ja esperamos com coisas para fazer. Excepçao é quem espera (ja me passou estar 6 horas à espera e com toda a certeza nao foi nem pouco mais ou menos o pior atraso da historia) e nao tem nada para fazer a chegada.

Outra coisa diferente é de modo gratuito tentar respaldar os nossos probelmas e frustraçoes em desatinos nacionalistas e provincianos. Claro que tive que perguntar se era necessario aquele tipo de observaçoes, ao que tive todas as espanholas a reagir de imediato porque ninguem queria que se ficasse com a minima sensaçao de alguma falta de respeito pela empregada (e pelos Portugueses?).

Obviamente foi uma falta de respeito. Mitigada pela fastidiosa espera do aviao, mas nao justificavel pela mesma.

Contudo este tipo de episodios serve sobretudo para revelar a nossa imagem enquanto povo, mas também deveria fazer com que nos pusessemos a pensar porque raio todos nos julgam ineficientes em tudo (porque ha coisas em que nao o somos e poderiamos com certeza realizar um Pros e Contras com base so neste singelo tema).

Somos observados pelos ingleses como os “Portugueses irresponsaveis que nao sabem dirigir investigaçoes criminais”. Porque lhes convém? Obvio. Mas porque nos deixamos.
Ha uma enorme diferença entre ser subserviente e ser amavel e cortez. Nos, Portugueses, muitas confudimos as duas e ainda mais vezes utilizamos esse procedimento para disfarçar algumas imcompetencias nacionais que se acumulam no nosso “modus vivendi” como povo há já muitas décadas (séculos????).

Para extrair conclusoes positivas deste relato quero guardar para mim e para vós a ideia de que temos de ser nós a vender o nosso peixe e nao os outros por nós. Essa é a principal diferença entre os dois países. No extremo oeste da Península Iberica ninguem se preocupa muito em vender a sua imagem. Humildade, dir-se-á. Tmabém, mas as vezes em excesso prejudica. Torna-nos fracos e impotentes para combater com armas iguais.

Ha uns dias lia um pps desses que circula na net que falava da Suecia e das empresas que, sendo suecas, sao das maiores do mundo numa economia mais fraca que a Portuguesa, com mais despesas sociais que a Portuguesa e numa naçao com menos contribuintes que em Portugal. Volvo, Ericsson, Scania, etc. Sao empresas que se tornaram grandes e que podendo ter sidfo adquiridas nestes ultimos anos mantiveram uma unica obrigaçao: nao defraudar o seu core de principios organizacionais. Pergunta: porque nao se passa o mesmo com as nossas empresas de referencia? Talvez porque a raiz do problema seja a falta desses mesmo principios e a sua defesa perante terceiros (sejam eles os mainstream ou nao).