Tuesday, September 18, 2007

Os 60 anos inauditos de historia (1580-1640) “y” outros piropos actuais


Começo este post com uma historia rocambolesca passada no aeroporto de Lisboa.
Como sempre nas ligaçoes de Lisboa a Madrid o voo atrasou. Uma hora. Duas horas.
Decidi-me pois a comer algo e optei por um “bocadillo” por nao me querer meter mais na gordura grauita das pizzas e hamburguers. Ok uma opçao dir-se-á.

Obviamente os meus mais directos “competidores” clientes eram “nuestros hermanos”, ou melhor, neste caso concreto, nuestras hermanas uma vez que eram 2 raparigas e 2 senhoras a rondar os 40 ou 50. Esperei pacientemente que a unica rapariga (Portuguesa) que estava de serviço ao balcao me atendesse, ao mesmo tempo que tentava ela dar vazao aos clientes todos que tinha. Estavamos neste introito do meu “petit” repasto, quando uma das jovens mais desesperada (ou porque o seu “vuelo” estava ja muito “retrazado” ou porque nao conseguia estar na fila e ter os olhos no écran de televisao onde se transmitia a final do Eurobasket) resolveu pressionar a empregada (diga-se que com alguma razao...): “Nao nos pode dar mais uma bandeja...? Nao ve que uma so nao chega? Uffff”, tudo isto em espanhol que nao me atrevo a traduzir ja que Cervantes de certeza sairia da tumba para me matar. A empregada “enfadada” disse em portunhol “nao querem mais nada? Nao querem mais nada?” e a tensao começou a elevar-se. Em bom momento intervieram as pessoas de mais consciencia ao lado e disseram as duas jovens que havia que nao ser tao picuinhas porque a pobre criatura estava sozinha a dar conta de tudo e provavelmente estava cansada. Alto!!!! Porque aqui é que bate o ponto.

Ora foi por esta observaçao (supostamente desconotada de nacionalismos) que uma das jovens resolveu saltar á coacçao com um juizo nacionalista do mais prodigioso que ouvi em tempos recentes: “Cansada??? Hummm como pode ser que esteja cansada se está em Portugal?”.

Bem obviamente qualquer se desespera por ter que esperar por avioes, quanto mais as 22h da noite para trabalhar no dia seguinte. Mas todos ja esperamos com coisas para fazer. Excepçao é quem espera (ja me passou estar 6 horas à espera e com toda a certeza nao foi nem pouco mais ou menos o pior atraso da historia) e nao tem nada para fazer a chegada.

Outra coisa diferente é de modo gratuito tentar respaldar os nossos probelmas e frustraçoes em desatinos nacionalistas e provincianos. Claro que tive que perguntar se era necessario aquele tipo de observaçoes, ao que tive todas as espanholas a reagir de imediato porque ninguem queria que se ficasse com a minima sensaçao de alguma falta de respeito pela empregada (e pelos Portugueses?).

Obviamente foi uma falta de respeito. Mitigada pela fastidiosa espera do aviao, mas nao justificavel pela mesma.

Contudo este tipo de episodios serve sobretudo para revelar a nossa imagem enquanto povo, mas também deveria fazer com que nos pusessemos a pensar porque raio todos nos julgam ineficientes em tudo (porque ha coisas em que nao o somos e poderiamos com certeza realizar um Pros e Contras com base so neste singelo tema).

Somos observados pelos ingleses como os “Portugueses irresponsaveis que nao sabem dirigir investigaçoes criminais”. Porque lhes convém? Obvio. Mas porque nos deixamos.
Ha uma enorme diferença entre ser subserviente e ser amavel e cortez. Nos, Portugueses, muitas confudimos as duas e ainda mais vezes utilizamos esse procedimento para disfarçar algumas imcompetencias nacionais que se acumulam no nosso “modus vivendi” como povo há já muitas décadas (séculos????).

Para extrair conclusoes positivas deste relato quero guardar para mim e para vós a ideia de que temos de ser nós a vender o nosso peixe e nao os outros por nós. Essa é a principal diferença entre os dois países. No extremo oeste da Península Iberica ninguem se preocupa muito em vender a sua imagem. Humildade, dir-se-á. Tmabém, mas as vezes em excesso prejudica. Torna-nos fracos e impotentes para combater com armas iguais.

Ha uns dias lia um pps desses que circula na net que falava da Suecia e das empresas que, sendo suecas, sao das maiores do mundo numa economia mais fraca que a Portuguesa, com mais despesas sociais que a Portuguesa e numa naçao com menos contribuintes que em Portugal. Volvo, Ericsson, Scania, etc. Sao empresas que se tornaram grandes e que podendo ter sidfo adquiridas nestes ultimos anos mantiveram uma unica obrigaçao: nao defraudar o seu core de principios organizacionais. Pergunta: porque nao se passa o mesmo com as nossas empresas de referencia? Talvez porque a raiz do problema seja a falta desses mesmo principios e a sua defesa perante terceiros (sejam eles os mainstream ou nao).

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