Friday, November 28, 2008

(Des)Emprego

Segundo os ultimos dados estatisticos do INE, Portugal manteve pelo quinto mes consecutivo uma taxa de desemprego de 7,8%. 

Do meu ponto de vista podemos fazer 2 tipos de análise:
  • Trata-se obviamente de uma informacao que é positiva relativamente à economia portuguesa e à sua capacidade de aguentar com o impacto a nivel imdeiato da crise. 
  • No entanto sabemos perfeitamente que a economia portuguesa tem um defice temporal de ajustamento relativamente prolongado pelo que este indicador deve ser tido em consideracao e analisado mas com muitissima precaucao e esperando que o mesmo va efectivamente piorar ao longo dos proximos 6 meses, à medida que a situacao das economias na UE se agrave (Em 2009 as previsoes apontam para quedas de PIB de 1,4% no Reino Unido, 1% em Italia, 0,9% em Espanha e igual na Alemanha), ou seja o nosso país ver-se-á afectado gravemente com um desfase temporal elevado no que se refere à alocacao de recursos e populacao activa.

Esperemos a ver

Thursday, November 27, 2008

Quick words, from the last days, on...

  • BPP: Joao Rendeiro afinal ainda é funcionário publico (http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=342788)
  • O pior ministro das financas segundo o FT(de que país será...lol) nao quer assumir que Portugal esteja em recessao... (http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=343030)
  • Em breve "post"erei sobre um conjunto de temas que parecem hoje cruciais: Novo modelo de negocio de private equities; Public equity vs. Private equity; Obama; EU e o que necessitamos ter como ferramenta de politica; Relatorios do BdP, nomeadamente sobre supervisao do sistema financeiro portugues pelo FMI; politica economica e de educacao; desafios para os que querem ser os novos lideres.
Ate la simplesmente dizer que o Citi foi salvo...provavelmente um dos maiores bailouts da historia...resta saber se alguem agora diz que o modelo de negocio também faliu pela banca de investimento naquele que era o maior banco de retalho do mundo...

Tuesday, November 25, 2008

As expected...


Propostas de Bruxelas vão ser anunciadas amanhã
Plano de relançamento europeu admite défices excessivos nos próximos dois anos 
25.11.2008 - 20h56 AFP
A Comissão Europeia vai encorajar os países europeus a lançar um plano coordenado de relançamento orçamental, num montante total de 130 mil milhões de euros e com duração de dois anos. Ao abrigo desta iniciativa, Bruxelas admite não penalizar os países que ultrapassem os limites impostos ao défice público, mas a partir de 2011 ser-lhes-á exigido que corrijam as derrapagens.

“A Comissão propõe que os Estados lancem planos de relançamento temporários e específicos, a aplicar de imediato”, lê-se na primeira versão de um discurso que Durão Barroso deverá tornar público amanhã e ao qual a AFP teve acesso. 

Esta iniciativa, acrescenta o texto, “está prevista para um período máximo de dois anos (2009-2010), após o qual os orçamentos dos Estados-membros devem comprometer-se a corrigir a deterioração orçamental e voltar a médio prazo aos objectivos” de equilíbrio das contas públicas. 

O executivo europeu sublinha que o Pacto de Estabilidade e Crescimento, que prevê um limite de três por cento para o défice público nos países da zona euro, não deve ser esquecido durante este período, mas deixa perceber que não irá punir os Estados que ultrapassarem estes valores, tendo em conta “as excepcionais circunstâncias” económicas. Em concreto, os Governos deverão dispor de um prazo mais alargado para corrigir os seus défices. 

“O que Comissão está a dizer, grosso modo, é que em 2009 e 2010 vários Estados vão ter défices excessivos, mas depois terão de os corrigir”, explicou um diplomata europeu, que falou à AFP sob condição de anonimato. 

Bruxelas responde, assim, favoravelmente aos pedidos feitos por vários chefes de Governo, como foi o caso do Presidente francês e da chanceler alemã, para uma aplicação “mais suave” do PEC, dando margem de manobra aos Estados para responderem à crise. 

Bruxelas sugere várias medidas 

O texto a que a AFP teve acesso não revela o montante total deste plano, mas Barroso fez saber no último fim-de-semana que a iniciativa conjunta não seria “certamente abaixo” de um por cento do Produto Interno Bruto dos 27, ou seja, cerca de 130 mil milhões de euros.

Bruxelas propõe que os países avancem com medidas individuais, a par de um reforço dos fundos europeus, e lança algumas pistas sobre quais devem ser a prioridades dos Estados, seguidas já por alguns Governos.

A Comissão recomenda em particular medidas associadas à despesa pública, “que tem um impacto a curto prazo sobre a procura”, e aconselha os Estados a investirem em projectos de apoio às pequenas e médias empresas ou para as famílias “mais afectadas pela desaceleração económica”. A este propósito sugere “transferências reforçadas para as famílias desempregadas ou de baixo rendimento” ou ainda “um prolongamento temporário dos subsídios de desemprego”. 

Bruxelas defende ainda a redução de impostos indirectos, como é o caso do IVA, a fim de “dar um impulso forte ao consumo”. O Reino Unido já anunciou que vai reduzir a sua taxa máxima de IVA de 17,5 para o mínimo europeu de 15 por cento, mas Alemanha e França contestam uma baixa generalizada dos impostos.

Noutras frentes, a Comissão propõe a redução dos impostos sobre os rendimentos, em particular para os salários mais baixos, e incentivos fiscais às empresas em energias alternativas. São igualmente apontadas medidas específicas para os sectores automóvel e da construção, entre os mais afectados pela desaceleração da economia.

A acompanhar este plano, surge um apelo ao Banco Central Europeu para que reveja em baixa a sua taxa directora, sublinhando que existe “margem para novas reduções”, consideradas essenciais para favorecer o crescimento.

Saturday, November 22, 2008

Há que dizer bem também

Ás vezes é preciso dizer bem...e dizer que há iniciativas que pelo menos parecem direccionadas no caminho certo.

A politica do Governo relativamente á construcao de uma rede de abastecimento para os carros eléctricos soa muito positiva e do meu ponto de vista correcta. Apesar de ter lido há alguns dias atras que o nivel de poluicao provocada por carros ditos ecologicos seria maior que os dos actuais que utilizamos, a verdade é que continuo a acreditar que assim nao é. 

Criar aliancas com quem produz ou deve ter a iniciativa empresarial de produzir estes bens é fundamental. Proporcionar condicoes que deviam estar implementadas e nao estao por via de um status quo que simplesmente prefere manter a situacao actual ate que ja nao seja possivel explorar o actual modelo de mobilidade, é algo que nesta fase deve ter uma mao dos governos.

Iniciativas do ponto de vista fiscal como as anunciadas - abolicao do importo de circulacao e beneficios fiscais em sede de IRS/C - sao boas medidas. Medidas que acho que estao no caminho certo da sociedade que devemos construir, uma sociedade de alternativas, de escolhas para os que querem que este paraiso que é a Terra possa efectivamente durar mais que a geracao dos nossos netos.

Para que a geracao dos nossos bisnetos nao viva numa obscuridade e falta de escolhas.
Para que nao digam que quem critica nao diz bem, so diz mal.

Parabens por esta iniciativa Sr. Primeiro Ministro.

Friday, November 21, 2008

O ex-maior banco do mundo...

(in Cotizalia, WSJ)

Citigroup está considerando la venta de activos e incluso la venta de toda la compañía, según The Wall Street Journal. El consejo de administración del banco se reunirá hoy para discutir las diferentes opciones, según el diario. Las acciones de Citigroup, que ha presentado pérdidas de 20.000 millones de dólares durante los últimos cuatro trimestres, se han hundido un 50% esta semana. Ayer, la compañía se desplomó un 26% y el miércoles, un 23%. En lo que va de año, el derrumbe se sitúa en el 70%. 

La venta de la totalidad de la compañía es sólo una de las opciones que estudiarán los ejecutivos del banco. Su consejero delegado, Vikram Pandit y otros ejecutivos de la compañía han manifestados que se sienten frustrados y confundidos por el duro golpe bursátil recibido esta semana. 

Las acciones de Citigroup cerraron ayer en 4,71 dólares, su nivel más bajo en 15 años, pese al anuncio realizado ayer por el investor de Arabia Saudí, el Príncipe Alwaleed bin Talab bin Abdulaziz Al Saud, de que aumentará su participación en el banco hasta el 5%. 

Además de la venta total del grupo, los ejecutivos estudian desprenderse de diferentes activos de la compañía, como Smith Barney. Asimismo, estarían considerando la posibilidad de fusionarse con un rival. En este aspecto, algunos analistas han dirigido sus miradas hacua Morgan Stanley y Goldman Sachs.

Cuidado Sra.Jornalista...

O artigo nao esta mal redigido mas este tipo de expressoes é muito feio...para este nivel de jornalismo generalista digo (in Público):

Tendo em conta a natureza do BPP e a sua dimensão, dificilmente o Banco de Portugal e o ministério poderão dar luz verde ao aval de 750 milhões. Daí terem procurado antes encontrar uma solução que resultasse na absorção da instituição por outra.

Se esta via falhar, admite-se que o BdP e as Finanças acabem por dar um aval, embora de menor valor, e mais adequado à dimensão do banco de João Rendeiro. Outra hipótese de salvamento pode passar pelo BdP, que, do ponto de vista legal, tem possibilidade de ajudar um banco em dificuldades (metendo lá dinheiro). Neste caso, o Governo indicará administradores provisórios para o BPP.

O belo adormecido acorda

Parece que o BdP vai vetar a garantia pedida pelo banco de Joao Rendeiro de 740 milhoes. Porque? Bom porque parece que tal financeiramente nao aparenta ser viavel e prejudica o sistema financeiro ao nivel do seu funcionamento.

Bom nao se conhece bem os caminho intricados da historia do BPP. Mas sabemos todos o que era a sua politica de gestao/ criacao de produtos para venda aos seus clientes a nivel de banca privada e institucional. Esperemos para ver.

Entretanto quando parece que o BdP começa a levantar ligeiramente a cabeça para ver a dimensao da floresta onde as arvores que deve controlar estao imersas, temos o Governo Portugues a actuar como Paulson/Bush em Agosto passado.

O Secretario de Estado Carlos Costa Pina parece estar em negociacoes para encontrar um comprador para o banco...nao vai acontecer o que se passou com a Lehmann as devidas proporcoes porque tambem agora a consciencia das autoridades governamentais é outra totalmente diferente, mas que podemos ter a segunda nacionalizacao em marcha, isso que ninguem duvide.

La se vais o défice...se bem que o proprio Rendeiro ja tinha avisado que tinha a corda nao sei se ao pescoço á cabeça ou nos pés e ja de pernas para o ar!

22/10/08, 20:42

Os bancos portugueses vão precisar de uma recapitalização de 4,7 mil milhões de euros para ultrapassarem a crise financeira e atingirem um nível sustentável no rácio de Tier I, indicador que mede a solvabilidade de uma instituição, disse ontem João Rendeiro, presidente do Banco Privado Português.

 

Numa apresentação feita na Associação Portuguesa de Analistas Financeiros (APAF), João Rendeiro adiantou que, em Espanha, os bancos irão precisar de uma injecção de 39 mil milhões de euros para atingir o mesmo objectivo.  O presidente do BPP acrescenta que será necessário ainda um aumento generalizado da dívida pública para financiar os planos de recuperação e de resgate dos bancos o que implicará uma subida das taxas de juro de longo prazo.

O custo médio fiscal líquido das recapitalizações do sistema financeiro deverá ser em média de cerca de 6% do PIB, mas no caso português o impacto será menor, sendo necessário 3% do produto, adiantou o presidente do Banco Privado Português.

João Rendeiro disse que os mercados financeiros deverão estabilizar no último trimestre deste ano e que os níveis actuais são 'um bom suporte para investimento a médio e longo prazo'.

Thursday, November 20, 2008

Governar...







...é uma tarefa muito árdua, ninguem duvide. Mas por favor nao facilitem a vida de quem quer criticar (e pode, porque com este nivel de capacidade para cometer erros e dizer besteiras...)! A sério...é de por os cidadaos em choque absoluto!


«Durante estes dias ouvimos todas as escolas», bem como «o parecer e a visão sobre os problemas que temos pela frente de muitos conselheiros peritos», adiantou a governante, frisando que nesses encontros foram identificadas «três áreas com problemas».

 

Nao se poderia ter feito isto antes? Melhor nao se devia ter feito isto antes?

Como devem funcionar os governos de um ponto de vista razoavel: Primeiro ouvir as partes e depois decidir (independentemente de ser algo que todos acabem aplaudindo) ou decidir primeiro e ouvir depois e voltar a re-decidir em consequencia? É que se este fosse um tema virgem...mas nao é...

 

Uma das medidas aprovadas pelo Governo passa por permitir que os docentes avaliados possam ter avaliadores da sua área de ensino e não de outros como acontecia até agora.

 

Parece-me razoavel. Porque nao foi aceite antes?

 

A segunda área que mereceu alterações por parte do Executivo prende-se com a «excessiva burocracia» aliada ao modelo de avaliação de desempenho dos docentes, que «não faz sentido nem para avaliadores nem para avaliados», adiantou a titular da pasta da Educação.

 

Bom...nao entendo quem faz leis/ legislacao em que sector seja, e em pouco tempo reconhece que fez algo burocratico e que nao vale a pena. Porque nao foi feito antes de forma nao burocratica?

 

As alterações passam ainda por permitir uma diminuição da carga de trabalho dos professores, sobretudo no tempo necessário para o «preenchimento de fichas de registo de avaliação».

 

Noto aqui um problema de simplifcacao de procedimentos que das duas uma, ou era efectivamente excessivo antes, o que nos levaria à pergunta já feita nos dois pontos anteriores, ou se revela como um relaxamento pernicioso que nao entendo muito bem como se acaba por conceder. Gostava que me explicassem, como cidadao.

 

Em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros extraordinário, Maria de Lurdes Rodrigues anunciou que os resultados escolares dos alunos deixarão de constituir um parâmetro da avaliação dos professores, por se ter constatado que este critério «revelou dificuldades técnicas e de aplicação».

 

Como? Queremos entao dizer que a avaliacao de um professor nao tem em minima conta os resultados dos alunos? Bem... sem mais informacao...nao entendo porque. Vamos admitir que a avaliacao que fazemos dos policitos, desportistas, banqueiros, empresarios, juristas, medicos, etc...nao depende dos resultados que produzem, directa ou indirectamente...por dificuldades técnicas digamos. Seria uma sociedade bem diferente. E se há dificuldades técnicas em muitas destas profissoes.

(Será que Carlos Queiroz se podera ver fora do comando tecnico da seleccao mesmo que perca todos os jogos que faltam ate ao final do apuramento para o Mundial?)

 

Entre as medidas de simplificação está ainda a redução do número de aulas assistidas de três para duas (33% que em todo o caso faz imenso sentido...espera algo me diz que isto nao é o fim...), que, ainda assim, só se realizarão por solicitação dos docentes(boa!!!! A avaliacao é feita neste parametro se o docente o pedir...excelente procedimentos neste ponto...espera algo me diz que nao acaba AINDA aqui...), apesar de serem imprescindíveis para a obtenção das classificações máximas(bom agora é que estou baralhado...sao imprescindiveis mas o docente é que sabe se as quer pedir ou nao? É erro da/o jornalista com certeza...ah ja percebi, os docentes nem querem ter notas boas, só más).

 

Depois deste recuo (???? Quem recuou???? Ah....ok recuar nao, mudar e ceder, ou reconhecer erros, ou fazer vontades, ou assumir disparates...bem o que for, nao interessa também do ponto de vista pratico, certo?), a ministra da Educação mostrou que o final do “braço-de-ferro” entre o Governo e os sindicatos quanto a este modelo de avaliação está agora dependente dos sindicalistas. (Espantoso...!!!!)

 

 

A governante fez saber ainda que, sexta-feira, vai reunir com os sindicatos para apresentar as alterações aprovadas pelo Executivo.(Bom principio dialogante...cheira-me que assim as coisas vao andar em Portugal no sentido de decidir, ouvir, voltar atras, decidir...nao sei quando termina. Vejamos se isto passará por exemplo com... o fenomeno NovAlcantara!!!!! Ou sera que nesse caso nao se ouvira mais ninguem?...Digo isso sem que esteja a defender nem os professores, nem quem esta contra a concessao atribuida à Mota-Engil...simplesmente se trata de uma reflexao).

 

 

(La piéce de resistance...)

No período de perguntas dos jornalistas, Maria de Lurdes Rodrigues sublinhou que o modelo não sai beliscado com as alterações agora decididas e frisou que o sistema de avaliação tem de ser aproximado daquilo que acontece nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

 

COMO ESTAVA ANTES NAO ERA E COM ESTAS ALTERACOES É ????? NAO POSSO CRER !!!!!!

 

Questionado pela TSF, o ministro da Presidência também presente na conferência de imprensa, rejeitou que na base das alterações ao modelo de avaliação dos docentes estiveram eventuais pressões politicas, inclusive do PS, para que o Governo recuasse.

 

Pedro Silva Pereira explicou que a simplificação anunciada resultou da experiência comprovada, já que o Governo esteve a avaliar nas escolas como é que o modelo estava a ser recebido e aplicado. (ok...parece-me um bom procedimento...mas há quanto tempo esta a decorrer esta experiencia? Nao creio que muito tempo...acho que se trata de uma medida que creio se aplicava a partir deste ano lectivo e com algumas matizes...seguramente estou mal informado...bolas!)

2 em 1...?

Em Portugal parece que os factos relevantes da actualidade seguem agora as famosas promocoes de supermercado...em menos de 20 minutos 2 (boas?) noticias importantes...




Ministra anuncia simplificação do modelo de avaliação dos professores

Hoje às 18:41

A ministra da Educação anunciou, esta quinta-feira, várias alterações ao modelo de avaliação de desempenho dos professores, no final do Conselho de Ministros extraordinário realizado esta quinta-feira para debater aquele polémico modelo

 

...

 

José Oliveira e Costa detido

Hoje às 18:26

José Oliveira e Costa foi, esta quinta-feira, detido por suspeita de burla agravada, falsificação de documentos, fraude fiscal e branquemento de capitais, na sequência de duas buscas domiciliárias feitas a uma quinta que o antigo administrador do BPN possui na zona do Cartaxo e a uma residência em Lisboa.

Um feliz Natal...ou talvez nao.

Arvore de Natal no Rockfeller Center...um ano dificil o de 2008

Ja comecou há muito a correria desenfreada para o apogeu da época natalicia. 

Obviamente nao há ainda os sinais mais evidentes do panico-de-ultima-hora-do-dia-24 mas além dos comerciantes que já se lançaram na captacao dos "early-clients", existe uma preocupacao normal para esta época do ano com o negócio e com o volume a registar nas proximas semanas. Faltam aproximadamente 4 ou 5 semanas para o dia em que nos sentamos em familia a ver o filme de natal em nossas casas. Mas este ano a loucura desenfreada, o consumismo exarcebado, os brinquedos, os gadgets, os electrodomesticos, os perfumes terao uma maior dificuldade em chegar a nossas casas pelo menos nos índices de penetracao que foram habituais nos ultimos tempos.

É uma má noticia? Bom por mim nao se estivermos a falar de retrair o desenfreado gasto que normalmente muita gente realiza nesta epoca do ano. Obviamente que má noticia pela parte de que tal realidade ajustada se fica a dever à recessao que atinge a economia mundial. Mas em si mesmo este fenomeno tem uma caracteristica mais importante: revela um potencial de deflacao que pode supor uma epoca conturbada para as economias em geral.

No Reino Unido, segundo dados da Capital Economics, as vendas de retalho caíram 0,1% em Outubro, ao mesmo tempo que as vendas de produtos nao alimentares registavam uma queda acentuada de 1,1%. Este cenario indica que os agentes estao a ajustar drasticamente a sua funcao consumo. Refere a CE que as vendas de vestuario foram reduzidas em mais de 3% em um mes. Consequentemente os retalhistas e comerciantes estao a reagir com cortes em preço que acabam por nao funcionar como normal, mais ainda porque este ajuste de comportamento gastador dos consumidores é sobretudo de gestao de expectativas de cara ao proximo ano.

Por outro lado nos EUA os preços registaram uma queda abrupta em Outubro, com um decrescimo face ao mes anterior de 1%. Os analistas apontam que a inflacao, que ainda em Junho Julho Agosto estava bem acima dos 5%, acabara o ano abaixo de 2% e para 2009 entrará em terreno negativo. 

Para este desiderato nao nos podemos esquecer que só a materia-prima petroleo passou de custar 140 USD em Julho a rondar os 50 USD nos dias que correm (há quem arrisque que chegara aos 30, mas acho que isso Chavez nao permitira mesmo...ja nao falo do intervalo 80-90). Por outro lado todas as outras commodities estao em desacelaracao de custo acentuada.

Ora em geral este tipo de noticias sao boas noticias. Mas nao no contexto actual, onde a emagadora maioria dos sectores nas economias estao sem folego, parados, a retrair-se ou com muitissimas dificuldades em sobreviver. O desemprego é uma bola de neve que neste momento nao tem muito controle, ainda que nos proximos meses com o estancar de algumas hemorragias possa vir a estabilizar ainda que em niveis que deixam o pleno emprego longe, mais longe que a proxima galaxia em termos fisico-espaciais.

Hoje em dia o Natal de 2007 parece uma miragem. E o de 2006 uma autentica utopia. Nao porque os presentes sejam menos ou mais ajustados à realidade vivida (isso talvez de alguma forma acabe por ser assim para a maioria em 2008), mas porque tal como insisto desde há algum tempo precisamos de lideranca. Nada melhor que uma epoca onde se presume uma lideranca espiritual para requerer que os nossos representantes eleitos e a eleger tenham a consciencia do dever publico para com as populacoes que servem, repito, que servem (ou pelo menos deviam servir).

Boas compras...dentro do que cabe.

Tuesday, November 18, 2008

Fado...


Perdonad mi ausencia del mundo bloguero, pero curro apierta! :)

Bem este post é historico.
Alem de ser uma capicua, efectivamente confirmo hoje que o nosso país (ainda que à distancia) está entregue a gente de "enorme" qualidade...nao posso crer que numa pagina inicial do Negocios.pt (já sei que é jornalismo e há sempre algo de sensacionalista mas nao pode ser tu sensacionalismo).

Sera possivel???? ou como ja me conhecem..."Como é que é possível??!!!"...em 4 noticias nao há um protagonista que se aproveite? (e por favor nao me digam que o governador do BdP esta a dizer algo bom da economia nacional, porque comerei as minhas unhas - coisa que nunca fiz - se no final de este ano a economia portuguesa tiver um crescimento de 0,5%...a todos os niveis impressionante).

Jose Socrates falha objectivo de 150.000 empregos (Sera pela crise???? NAO!)
Manuela Ferreira Leite tera afirmado que deberiamos passar 6 meses sem ser num regime democratico? Nao pode ser.
Texeira dos Santos o pior ministro das finanças da UE??? (quero um buraco com a nossa bandeira)
E para rematar...VC confirma que vamos superar a crise.

Bom...acho que preciso de uma aspirina. Duas, melhor. 
(valha-nos a clarividencia de discurso de Paulo Azevedo para compor um pouco este quadro negro!)

Thursday, November 13, 2008

Post #100: Pas mal...

Ainda nao...mas ja devemos estar mesmo quase, nao Sr. Governador?
Quem é pior cego: o que nao vê ou o que nao quer ver?

(in Negocios.pt) 

Vítor Constâncio diz que ainda não está confirmada uma recessão na Europa

O Governador do Banco de Portugal disse hoje que ainda não está confirmada uma recessão na Europa e que é uma apreciação enganadora pensar que o BCE falhou na estabilidade dos preços.

 “Ainda não estamos a falar acerca de uma recessão generalizada. Antes das projecções que serão conhecidas em Dezembro, não vou comentar. Uma recessão ainda não está confirmada”, pelas estimativas do Banco Central Europeu (BCE) afirmou Vítor Constâncio em Frankfurt, citado pela Bloomberg.

 As novas projecções da OCDE apontam para contracções simultâneas na Zona Euro e nos Estados Unidos, antecipando quatro trimestres consecutivos de retracção nos dois principais “motores” da economia mundial. Em Junho, a OCDE previra que a economia norte-americana iria sofrer apenas um trimestre de contracção, com a Zona Euro e o Japão a desacelerar, mas sem sair de terreno positivo.

 As novas previsões da OCDE são, ainda assim, menos pessimistas do que as divulgadas há precisamente uma semana pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que diz estar-se perante a pior recessão desde 1945.

 Também a Comissão Europeia prevê uma contracção nas principais economias da Zona Euro já este ano.

 O Governador do Banco de Portugal explicou que “estamos sempre a analisar os dados e vamos ver no próximo mês o que decidimos. Não vou fazer comentários”.

 Sobre a inflação sublinhou que “é claro que as expectativas de inflação permaneceram em torno dos 2% nos últimos anos. É uma apreciação enganadora pensar que o BCE falhou na estabilidade dos preços porque a média da inflação tem sido ligeiramente acima dos 2%”.

 Em relação ao euro, Vítor Constâncio considera que “criamos uma moeda robusta e forte cm um papel internacional. Temos vindo a assegurar a estabilidade na Zona Euro no seio de vários choques”.

 Sobre Portugal, acredita que “em 2008 teremos a inflação abaixo da média da Zona Euro”.

Cara e Coroa (in DN)

Cara...

 É mais uma coincidência que terá passado ao lado de Vítor Constâncio: nos últimos anos, empresas brasileiras do universo da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) foram financiadas através do Banco Insular de Cabo Verde (BI). Os registos das transacções são públicos, encontrando-se no site do Banco Central do Brasil. O levantamento feito pelo DN permitiu apurar, entre 2004 e 2007, uma verba que ultrapassa um pouco os 300 milhões de euros de transferências do Insular para contas no Brasil. 

Uma boa parte daquela verba foi canalizada para a Ergi, uma imobiliária brasileira que, até Dezembro de 2006, fez parte do universo de empresas ligadas à SLN. Ora, uma vez que só em 2008 o BPN assumiu a propriedade do BI, o volume de transferências indicia um financiamento encapotado do próprio BPN à empresa que pertenceu ao mesmo grupo. Mas, como oficialmente, o BI não era do BPN, as contas do primeiro não estavam reflectidas no banco português. Além da Ergi, o BI também transferiu dinheiro para outras empresas brasileiras.

Este tipo e operações terá em muito contribuído para o buraco no BI. Que, segundo uma carta da administração do BPN ao Banco de Portugal (de 2 de Junho de 2008), rondaria os 400 milhões de euros. Aliás, tal como Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, afirmou na madrugada de quarta-feira na Assembleia da República. 

[A] carta, feita pela administração de Abdool Vakil, que precedeu a de Miguel Cadilhe, revela ainda os accionistas da sociedade que controla o BI. A Insular Holdings está ligada à Mariziou Holdings. O BPN confirmou, então, que esta estava ligada à SLN. Por sua vez, os accionistas da Insular são, precisamente, José Vaz Mascarenhas, presidente do conselho de administração do BI, e os vogais José Luís Fernandes Lopes, Sérgio Centeio, Casimiro Taveira e João Gourgel. Os dois primeiros, segundo uma fonte liga à justiça de Cabo Verde, têm fortes ligações ao actual governo daquele país africano. Sérgio Centeio foi, aliás, ministro da Agricultura logo após a independência. Já José Luís Fernandes Lopes chegou a ocupar o sempre apetecido cargo de embaixador nos EUA.

 

...e coroa

 

"Os melhores cérebros não estão na supervisão"

 O governador do Banco de Portugal (BdP) não reconheceu ter cometido qualquer erro da supervisão no caso BPN, durante o seu encontro com os deputados no Parlamento, justificando que "a supervisão da banca não é feita como a supervisão de uma fábrica de parafusos ou de salsichas". Mas as críticas ao desempenho global do BdP na supervisão - à luz dos casos BCP e BPN -, não param, centrando-se na deficiente actualização das suas competências ao ritmo das mudanças no sector bancário comunitário.

 "O Banco despromoveu a nobreza da área de supervisão dentro da sua estrutura. Por exemplo, os estudos de investigação são feitos, na esmagadora maioria, sobre mercado monetário, economia, trabalho. Não são sobre supervisão bancária", disse ao DN o professor do ISEG, João Duque. Nesta lógica, "o BdP só tem cerca de 60 pessoas a fazer a supervisão. E vai buscar os melhores cérebros às universidades para fazer estudos fora da área de supervisão", acrescentou.

 Críticas apoiadas pelo anterior ministro das Finanças, Bagão Félix, que à Lusa sublinhou que o governador deu, no Parlamento, "uma visão conformista e resignada da supervisão bancária. Pareceu-me uma prestação muito passiva que é incompatível com a complexidade do mundo bancário". Já para o economista António Nogueira Leite, Constâncio "não cometeu nenhuma falta grave, foi apenas um gestor menos eficiente dos recursos que o país lhe confiou". E completou, em declarações à Lusa: "O BdP ainda está hoje, 10 anos depois da entrada no euro, muito vocacionado para a condução da política monetária, onde só tem um papel coadjuvante".

 

Wednesday, November 12, 2008

Noticias deste dia 12 de Novembro




Olhando para a pagina de entrada do Negocios.pt, percebemos 3 coisas directamente:
  • O petroleo esta no limiar dos 50 USD...algo nao visto em 22 meses - bem parece obvio que em muitos meses antes nao tinhamos visto uma recessao nem muito menos uma deste calibre. Ainda assim a Agencia Internacional de Energia diz que se acabou o tempo do petroleo barato (cheira a Chavez aqui...nao?). Seja como for o mercado parece dizer à AIE que "its all about supply and demand baby, supply and demand baby!". Claro isto no curto prazo, porque no medio prazo de acordo com o que diz a AIE que considera que os consumidores pagarão uma média de 100 dólares por barril de petróleo ao longo dos próximos sete anos e mais caro a partir daí (200 USD em 2030). Afinal temos mais tempo para pormos a inovoacao ao servico das populacoes sem a pressao do incentivo mais eficaz que existe: dinheiro. Funcionará?
  • O Euro atingiu um maximo historico frente à Libra de 0,8314 euros/libra. Por quanto tempo pergunto eu? Bem trata-se da consequencia normal de uma politica de juros mais agressiva do BoE, que quem sabe nao tera de ser seguida rapidamente pelo BCE, e obviamente da recessao que esta a afectar também rapidamente o Reino Unido por força do abatimento do mercado imobiliario britanico (ha que dar razao à economista-chefe, lá tem mais força);
  • Paulson recua e deixa de utilizar dinheiro para comprar activos subprime e, ao invés, ajudar os bancos a recapitalizarem-se e assim continuarem a poder emprestar aos agentes.
Pois parece que a verdade vem sempre ao de cima.
Já veremos que se passa em Portugal.

Brown, Krugman, Roubini were all right


Pois o secretario Paulson veio reconhecer que o plano de bailout por compra de activos baseados no subprime imobiliario nao podia resolver nada do que afecta neste momento as economias pelo que haverá que transforma-lo em programa de recapitalizacao dos bancos e instituicoes financeiras para que estes possam seguir com as suas funçoes de prestadores de liquidez ao sistema.

Brown, Krugman, Roubini et all ficaram de certeza muito satisfeitos. Até Mankiw aplaude.
Pois aí está.

(in Negocios.pt)

Secretário do Tesouro dos Estados Unidos abandonou o plano de compra de activos tóxicos, pretendendo agora usar parte do dinheiro do Plano Paulson para estimular o crédito ao consumo.

“A falta de liquidez neste mercado [divida emitida sobre crédito à habitação] está a aumentar os custos e a reduzir a disponibilidade de crédito para compra de carro, para a educação e para consumo”, disse Paulson hoje em Washington, num discurso que marca uma viragem no plano que o próprio delineou logo após a falência da Lehman Brothers.

A falta de crédito está a “reduzir o número de empregos na nossa economia”, defendeu.

Este plano, conhecido por TARP – Troubled Asset Relief Program, tinha como principal objectivo reanimar o sector com a compra dos activos tóxicos que originaram a grave crise financeira, mas agora Paulson diz que a aquisição destes activos “ilíquidos” já não está a ser considerada.

O secretário do Tesouro está a explorar uma nova medida para reanimar o mercado de dívida hipotecária, que passa por utilizar uma parte do pacote de 700 mil milhões de dólares para “encorajar os investidores privados a regressarem a este problemático mercado”.

“A nossa perspectiva nesta altura é de que esta [compra de activos tóxicos] não é a melhor maneira de usar os fundos dos contribuintes”, disse Paulson, acrescentando que “vão continuar a ser examinadas que outras formas de compra de activos podem ter um papel importante”.

Dos fundos de 350 mil milhões de dólares já aprovados pelo Congresso dos EUA, apenas 60 mil milhões não foram aplicados por Paulson em medidas para ajudar os bancos norte-americanos.

Até agora Paulson tem resistido aos apelos de que este dinheiro seja utilizado para socorrer outros sectores, como o automóvel.

 


As coisas que se dizem





Mais uma vez nao quero entrar em polemicas.
Nao quero dizer que se fez mal "apenas" porque agora está tudo em pantanas.

Mas custa-me a ler certas coisas. Obviamente que há sempre justificacoes para tudo, sempre formas de olhar a mesma coisa de prismas diferentes. Mas nao consigo entender que o responsavel pela a autoridade de supervisao bancaria em Portugal possa ter este discurso. Nao se trata do BPN agora ou do BCP antes, nao se trata de saber se o BPN ja devia ter sido intervencionado, comprado, vendido, partilhado, eu sei lá. E muito menos se se tratou de que o BCP tenha ajudado o filho do seu ex-presidente ou se os auditores, de forma ex-post, la ficaram ou nao.

Trata-se afinal de perceber que raio de supervisao faz e exerce o BdP. Olha as contas em Março do ano seguinte? Verifica se os racios de solvabilidade estao conformes ao legalmente definido? Questiona os membros da administracao de forma civilizada, sem nunca por em causa as suas decisoes, se algo esta menos bem?

Que faz Vitor Constancio? Nao quero nem estou a dizer que fez mal...eu simplesmente nao sei o que faz há mais de uma década. Qual é o seu dia-a-dia...? 

Porque? Porque o que realmente quero dizer é que nao quero ter mais situacoes destas no meu país. COmo accionista fui claramente prejudicado pela falta de actuacao do BdP e agora como contribuinte resta saber se nao o serei também. Ninguem porá em causa que se o BPN nao tem dinheiro, liquidez, o que quisermos para enfrentar as obrigacoes a que esta sujeito que nao possa ser pelo menos razoavel pensar se este cenario de intervencionismo estatal possa ocorrer. O que já toda a gente deverá questionar é...que andou o BdP a falar com o BPN ao longo dos ultimos anos desde 2002, quando a Deloitte deixou de auditar o banco deixando um manancial de reservas às contas que mais parece um cardápio de entradas de qualquer restaurante michelin com 3 estrelas.

"Haverá sempre falhas e fraude...". Com toda a certeza. A questao é se fazemos publicidade disso ou nao. Haverá sempre criminalidade e sempre erros humanos. Mas entao por isso os orgaos de regulacao, supervisao, controle, da ordem publica, do que for nao poderao ter uma actuacao efectiva? For God's sake.

Nao se trata de encontrar um bode expiatorio, nada disso. Mas serao os accionistas, numa base tao dispersa ainda para mais, os culpados desta situacao? Pois alguns com certeza também, mas para isso os demais, que em cima sao pequenos e sem grande poder de decisao e influencia, esperam que alguem os defenda de potenciais atropelos de forma ex-ante, nao ex-post.

O exercicio da supervisao ex-post é similar a fazer previsoes depois de terem ocorrido os factos em análise. Saber que depois de uma derrota o clube tinha probabilidade muito forte de perder é demasiadamente facil e terrivelmente idiota para quem o afirma. Expor-se a esse cúmulo do ridiculo é devastador para quem confia nestes agentes como bastioes de alguma honorabilidade, além de "accountability" (no sentido de obrigar a que prestem contas) que é essencial no sistema financeiro e na economia como um todo.

Quando o BPN oferecia taxas de rentabilidade superiores às oferecidas por todos os outros bancos, pergunto que fez o BdP? Nao se trata de acusar o BPN de nada, absolutamente nada. Se calhar os seus accionistas da altura queriam perder um pouco para tentar ganhar algo...mas insisto, sabemos algo da actuacao do BdP nessa altura? Se por exemplo, uma gasolineira fixar um preco de venda 15 centimos a baixo das estacoes de combustivel dos hipermercados, a autoridade da concorrencia investigará? Ou pelo contrario dirá que se por acaso se vier a provar que essa empresa rompia um conluio existente ou se pelo contrario fazia dumping nao se passava nada de mal, apenas uma falha e que nao se podia ter anticipado a mesma?

Gostava também de exprimir a minha concordancia com algo que foi dito. Em Portugal, mas nao só, o enquadramento penal para o crime financeiro é tao brando que dá gosto perguntar porque nao há ainda mais. Diz Vitor Constancio (VC) que "se deverá pensar na moldura penal que rodeia a actividade financeira e que, por exemplo, algumas questões que hoje são consideradas como contra-ordenações passem a ser consideradas crimes, como a prestação de informações falsas ao supervisor”. Salienta que para isso é necessário que se pense também na protecção de quem denúncia os crimes, tal como acontece nos EUA. Isto, como dizem os ingleses, "goes without saying", ou seja, nao é sequer necessario dizer. É preciso FAZER. Sem medos e sem muita demora por favor.

Mas se há coisas que parecem obvias, outras estao no limbo da aberracao...Afirma VC que nao quer um regime de supervisao do tipo policia. As palavras sao suas. Mas depois admite que poderá vir a ser necessario colocar equipas de supervisao de forma permanente nos grandes bancos...Pregunta: Há algum outro tipo de regime de supervisao "polícia" alem deste? Ou mais que este? Ou com umas caracteristicas de "polícia" mais efectivas que este?

“Temos de analisar a possibilidade de alterar, em especial nos bancos maiores, os termos da supervisão, colocando equipas permanentes dentro das instituições principais. Este modelo existe em poucos países e tem os seus riscos, mas é algo que teremos de reflectir”

Mas os erros grosseiros sao em catadupa...é o bom de se assumir sem assumir nada. VC disse na comissao parlamentar que "em 2007, o tipo de problemas intensificou-se, quando pedimos informação sobre os benefícios de off-shores que tinham crédito, até por causa do que tinha acontecido noutra instituição conhecida” (BCP). E nao se fez nada?? Que actuacoes foram levadas a cabo? a informacao prestada foi suficiente? Segundo VC nao havia forma de saber das operacoes no Banco Insular de Cabo Verde...mas se já havia uma situacao antes que aconselhava prudencia, cautela, olho aberto, se inclusive se pediu informacao...que se passou? Que actuacoes, insisto mais uma vez levou o BdP a cabo em face destes factos (off-shores, informacao insuficiente, exemplos anteriores de ma gestao, etc...)?

“A informação que recebemos era incompleta, chegava aos poucos e com relutância e com muita argumentação”...Pedissem mais, mais vezes, fosse tornada publica a mesma situacao, que se fizesse chegar onde se devia tal assunto. À Assembleia, ao Presidente. Ah, o Presidente nao porque eventualmente seria amigo de pessoas envolvidas? Teria sido o melhor teste à sua integridade como político, que nao só nunca porei nem pus em causa, como admiro e sempre admirei enquanto ainda primeiro-ministro. Seguramente ele nao teria permitido este chavascal. 

Justificar-se nunca é boa opcao de argumentacao se nao há materia de facto que leve a que se possa faze-lo. Demitir-nos das nossas responsabilidades muito menos. Dizer que eventualmente por alguem ter sunegado a outros accionistas e membros do Conselho de Administracao informacao sobre fraudes isso significa e desculpa que o regulador nao tenha podido intervir é no minimo anedótico. De rir mesmo. O regulador nao faz, porque so o eventual criminoso é que sabia o que estava a fazer. Muito bem. Parabéns, assim nunca iremos combater a fraude. Apenas apanhar os "cacos" que a mesma provoca.

“Nada me pesa na consciência em termos de ter cometido qualquer acto ou omissão que tenha contribuído para esta situação do BPN com o desfecho que conhecemos. Por isso colho a sua sugestão de que me demita”, afirmou o governador em resposta às afirmações de Paulo Portas, que disse esta noite que Vítor Constâncio “devia sair”.Questionado pelo deputado do PCP, Honório Novo, se tem condições para continuar afirmou “Sim, acho. Porque tenho consciência daquilo que faço enquanto governador”.

Em Portugal temos de nos habituar ao fenomeno do accountability, a nao ter cargos "ad eternum", a ser responsaveis para connosco em primeiro lugar e depois com os outros que sao os nossos pares ao nivel da cidadania. Ninguem está acima da lei, obviamente, mas sobretudo alem disso ninguem pode estar inquistado num redoma de poder sem querer perceber se já passou o tempo suficiente para que estas coisas nao se passem. As novas geracoes precisam de exemplos. De lideres, de pessoas que com a sua vontade demonstrem que efectivamente sao exemplos a seguir. Este nao é o exemplo que quero que as geracoes que agora estudam o papel que deve ter o BdP, tenham nas suas cabeças.


Quero outro exemplo. Merecemos outros exemplos. 
E nao só no BdP.



(in Negocios.pt)

O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, afirmou que os problemas dos quais se falavam anteriormente relativamente ao BPN “não punham em causa a viabilidade do banco” ao contrário do que aconteceu recentemente e levou à nacionalização do banco. 

Perante a comissão parlamentar de Orçamento e Finanças, Vítor Constâncio admitiu que o BPN “teve sempre os seus problemas”, mas as questões de que se falava “não punham em causa a viabilidade do banco”. 

O responsável adiantou que mais recentemente, os problemas que assolaram o BPN e que ditaram a sua nacionalização eram de liquidez e de solvabilidade. 

“O desfecho que teve o caso do BPN resultou de duas coisas” a primeira da “progressiva falta de liquidez para fazer face aos compromissos, apesar dos apoios especiais que lhe foram dados pelas autoridades” e em segundo houve um “problema de solvabilidade da instituição”. 

Foram estes os “problemas que ditaram o desfecho que não têm nada haver com os problemas que ao longo dos anos foram identificados”, acrescentou Vítor Constâncio.

“A não ser que queiram um supervisor polícia, mas não é esse sistema que temos”, acrescentou. “Haverá sempre fraudes e corrupções e isso não é por haver falhas de supervisão”, salientou.

Monday, November 10, 2008

Less is beautiful...


A crise esta muito negra. Sobretudo para as industrias que mais fizeram por espalhar globalmente o advento do novo (entretanto semi-enterrado) sistema financeiro global.

A GM, até há pouco um exemplo de liderança onde Jack Welch serviu de farol a tantos outros, está agora à beira do colapso. Outra Bear Stearns? Discute-se em Washington planos para un bail-out similar ao dos bancos. A coisa pinta negra.

Em todo o lado...nao só na GM.

2008 será provavelmente recordado como um "annus horriblis".

2009...a ver.

Friday, November 7, 2008

Incrivel...ou talvez nao.

Bem ficou provado que Fatima Felgueiras nao devia sequer ter podido candidatar-se.
Mas o inacreditavel é a forma como se chega a este desiderato.

Felgueiras, foragida da justica para o Brasil evitando a prisao preventiva que se lhe aplicara, foi condenada por peculato de 17o euros, peculato de uso por utilizacao indevida de uma viatura e finalmente por abuso de poder num caso de loteamento mal gerido.

Bem de 35 crimes foi condenada em 3.

Inacreditavel.

Mas mais...Dizia Fatima Felgueiras que o juiz tinha dito que nao havia razao nenhuma para perda do mandato senao a propria lei.

Fabuloso.
Este processo e esta declaracao é o exemplo supremo do que é a politica nacional.

Assim sabemos que a justica em Portugal...enfim se faz porque se tem que fazer, porque em geral nem haveria necessidade...Fatima Felgueiras dixit.

"a dor que eu sofri nestes anos...pela injustica que a fui submetida"...por isso foi condenada. Mesmo que por 170 euros.

Enfim, a politica portuguesa...

Wednesday, November 5, 2008

Virtuosismos

As virtudes dos sistemas democraticos e das economias capitalistas, que alguns tao depressa nos ultimos tempos se atreveram a criticar, residem nisto mesmo: aprender com os erros.

Por isso hoje temos mais democracia e mais riqueza e sem duvida estou certo no futuro mais para todos sem prejudicar a ninguem - atencao isto nao é um slogan socialista, é um acto de fé de um economista liberal que muitas vezes se encontra mais a pensar como Nozick e a agir para que Rawls nao morra como doutrina ainda que utopica.

(in Negocios.pt)

Juergen Stark considera que sistema financeiro está mais apto a resistir a contratempos

O membro do Banco Central Europeu, Juergen Stark, adiantou que poderão surgir mais acidentes no âmbito da crise financeira mundial, mas as acções dos governos colocaram a Europa numa posição melhor para enfrentar esses desafios.

Economistas...


Enquanto estudo para poder nos proximos dias colocar um post sobre o tema do momento em Lisboa (nacionalizacao do BPN) fica aqui para os meus queridos companheiros de curso uma pequena prenda que Mankiw nos deixou (já que Obama ganhou eprovavelmente hoje é dia menos alegre para os republicanos).

Abracos,
FEUNL sempre


Tim(ing) is everything!


Krugman disse tudo.

 

There will be endless bloviating over the significance of today’s results; I plan to do some bloviating myself. But we shouldn’t ignore the importance of chance events, or at least the chance timing of events. Without 9/11, what would have become of George W. Bush? My guess is that he would have lost Congress in 2002 and the White House in 2004. And what would have happened if Lehman had waited until November to blow up? Would smear-and-fear have worked?



Back to the economy again

Parece que afinal o Euro tem as suas vantagens até para os mais resistentes à mudanca...a mudanca. A Mudanca tb chega à Europa hoje...

(in WSJ)

Denmark's government said it would push for a national vote on whether to adopt the euro currency, showing how the global financial crisis has begun to change views on the European Union's common currency.

Until a few months ago, many Europeans blamed the not-quite-decade-old euro for stifling economic growth in much of the 15-nation currency zone. But as financial turmoil pounds smaller European economies that still have their own currencies, the relatively stable euro has begun to look like a safe haven.

Yes (we) They can (III)







Yes (we) They can (II)

Yes (we) They can! (I)

http://edition.cnn.com/video/#/video/politics/2008/11/05/sot.obama.victory.challenges.cnn


The time has come


Chegou a hora.
Agora mais que nunca as expectativas estao altas. 

Mas sobretudo ha que destacar que finalmente temos um lider a nivel mundial (podia ser na Franca, na China ou na Tailandia, que diria o mesmo) que tem a capacidade e a vontade de poder efectivamente demonstrar ao mundo que há "Líderes" neste seculo, nos quais se poderá acreditar e por fé.

Será Barack Obama perfeito? Longe, muito longe disso. Irá ter uma actuacao isenta de erros? Nao, obvio que nao. Mas é mesmo uma mudança? Sim, sim, sim.

Eu acredito e acho que alem das razoes temos de neste momento historico para o mundo e para os EUA olhar à emocao também. Os problemas que enfrentamos hoje resolvem-se com argumentos racionais, mas também e quase sempre com muito bom senso, com capacidade de dialogo sempre que seja construtivo faze-lo e com recurso à forca apenas quando nao haja alternativa por quem nos deixa sozinhos a falar do outro lado.

Digo isto porque Bush invadiu o Iraque? Nao sei. Acho que mais que nada digo isto porque mesmo tendo ou nao invadido o Iraque com motivos que logo nao se provaram, Bush geriu mal toda a politica externa e também interna. O inidce de aprovacao de 20% com que deixa o poder, sem ter tido escandalos sexuais que o toquem como muitos outros presidentes que se quiseram ferir para deixar de poder exercer o seu legado de poder democratico, revela que falhou em toda a linha. A actuacao aquando do Katrina foi miseravel e ninguem o culpa por desastres naturais, se nao por nao conseguir definir politicas que combatam as suas consequencias, previnam e protejam as suas populacoes dos mesmos, etc. etc..

Cumpre-se finalmente o "verdadeiro" sonho americano. Ja nao se trata de que chegue um actor a presidente, nem um "idiota" que afunda empresas com o dinheiro do petroleo - aliás alguem disse ha muitos anos atras na epoca da constituicao dos EUA como pais, que o seu sistema tinha sido definido por genios para que pudesse ser governado por idiotas e tontos.

Cumpre-se porque um homem, de raca negra - nao me importa se é mulato, se a sua mae e avós maternos sao brancos - consegue algo de extraordinario. Ninguem se recorda que Obama comecou como um "underdog" de Hillary e outros como Biden até. Já ninguém parece lembrar-se desse passado recente com menos de 2 anos. Mas toda a gente se lembra e lembrará dos seus discursos, da sua palavra.

Obama é um lider de uma geracao. Quem me dera na Europa e sobretudo em Portugal que um dia possamos ter alguem parecido, ja nao peco igual.

Alguem que se eleve da multidao e possa dizer sem muitos floreados coisas simples. Só isso. Coisas simples. Nao quero mais retorica atras de retorica. Chega de Socrates, de Santanas, de Portas e Jeronimos. Quero mais. Temos direito a sonhar com mais.

Fico à espera agora com muita fé em Obama que as expectativas as conseguia gerir com o passar do tempo. É um trabalho muito dificil, que ninguem pense o contrario. Mas há que acreditar, sobretudo nos momentos em que haja mais dificuldades, mais criticas, mais barreiras, mais gente que quer dizer que nao so para nao deixar que se faça algo.

Mas acredito que a mao inivisivel nao é so na economia. É em tudo. Todos temos alguem que nos aglutine mais que em muitos anos agora.

Fico à espera que alguem possa ser assim um dia no meu país.
I'm still waiting for (part of my) the World to change

Me and all my friends

We're all misunderstood

They say we stand for nothing and

There's no way we ever could

 

Now we see everything that's going wrong

With the world and those who lead it

We just feel like we don't have the means

To rise above and beat it

 

So we keep waiting

Waiting on the world to change

We keep on waiting

Waiting on the world to change

 

It's hard to beat the system

When we're standing at a distance

So we keep waiting

Waiting on the world to change

Tuesday, November 4, 2008

Nao é segredo que...


Estou por Obama. Nao me interessa agora mesmo os temas politicos. Há momentos em que temos simplesmente que dizer com quem estamos e dar-lhes o nosso apoio independentemente do que venha a acontecer. 

Quero que o mundo mude. Estou a espera ha ja muito tempo (mais de um ano) e espero que isso aconteça. Infelizmente para Barack já mudou ontem. Sinto pela sua perda. É um sentimento que nao sei e nunca saberei lidar com. 

A ti como exemplo para uma geracao, obrigado por fazeres das fraquezas forças.
Eu tratarei de mimetizar o maximo possivel os bons exemplos que os poucos lideres que merecem a pena nos dias que correm nos dao.

Nao tem a ver com esquerda ou direita.
Nao tem a ver com certo ou errado.
Nao tem de certeza a ver se dou liberal ou conservador, socialista ou de direitas.

Tem a ver com a nossa percepcao do mundo.
A percepçao do mundo que queremos deixar para os nossos filhos. Para os nosso netos.

Como os nossos avós nos deixaram algo.
Como a Barack lhe deixou algo.

Hope you are better now, wherever you are, for your wellbeing.
Back here, we are waiting on the world to change.

PS: Este post dedico-o às minhas avós, à que ainda hoje partilha os meus dias e à que ja partilhou no passado. Obrigado, sou parte do que sou por vós. E orgulho-me. beijos