Monday, December 15, 2008

"Nao estava à espera..."

Afirmar no actual entorno que nao se estava à espera de algum tipo de desiderato pode parecer razoavelmente admissivel, tendo em conta a força com que muitos dos acontecimentos – o ultimo dos quais a descoberta da fraude de Madoff no final da semana passada – tem atingido a (falta de) estabilidade dos mercados financeiros e das economias a nivel mundial. 

Contudo o mesmo nao se podera dizer de pessoas que tem a responsabilidade de analisar dia a dia a evolucao de tais mercados e das economias, mais para mais, quando algumas dessas pessoas até há poucas semanas insistiam que em Portugal estariamos de alguma forma menos expostos, e portanto nao afectados, pela crise que afecta as grandes economias mundiais (como ja disse antes nos posts da Economista-Chefe, como se isto fosse possivel de alguma forma, mas ok). 

Pois mais fantástico soam as palavras da nossa já famosa Economista-Chefe que veio na passada quinta-feira assumir ao Diario Economico (guardei recorte porque me parece absolutamente maravilhosa a citacao) que “nao estava à espera” de numeros tao negativos. Podia estar aqui horas a reescrever o que ja disse antes, mas vou passar um pouco mais à frente porque se o tema fosse apenas que aprender com os erros era uma tarefa lograda pela nossa referida Economista nem sequer teriamos post. O que ocorre é que nao é isso que a referida senhora decide fazer, mas sim todo o contrario quando começa a justificar algo que em Setembro dizia que nao teria influencia na economia portuguesa como para que pudesse afirmar o que agora afirma: a situacao espanhola está a deixar as empresas portuguesas a braços com sérios problemas de escoamento de produtos

O proprio artigo é generoso em materia de facto para o economista-nao-chefe-mas-subordinado comentar. Além de se constatar que as exportacoes cairam 1% no terceiro trimestre, afirma-se que os dados do INE mostram que o investimento caíu mais de 1.8% em termos homologos com o periodo anterior. Cumulativamente, registou-se uma contracçao da criacao de riqueza em Portugal de 0,1%. Um trimestre de diminuicao na geracao de producao. 

Ora o quarto trimestre nao tem nenhuma probabilidade real de aparecer com um numero efectivo de crescimento do PIB. O governador do BdP ja o tinha admitido (ver post sobre este tema), dizendo agora o mesmo que a recessao tecnica é “possível”. Eu, correndo o risco de que me atirem pedras contra pessimismo por adiantado, assumo que é mais do que isso. Se nao for por medidas orcamentais tiradas da cartola do Eng. Socrates para fazer frente ao triplo-ano-eleitoral que aí vem, nao há como evitar este cenario. 

A geracao de riqueza/ produto num pais nao tem muitas fontes. Se as exportacoes tem tendencia de queda (nao resisto a dizer como é possivel que alguem nao pudesse esperar isto? Como?), se o investimento privado nao tem nenhuma indicacao de retoma, antes pelo contrario, restam o consumo privado e o gasto publico para equilibrar esta balanca, uma vez que as importacoes tem a tendencia de seguir com menos/mais intensidade, conforme descida/subida da actividade economica, o que se passa com as exportacoes, fazendo piorar o defice exterior, tal como se verificou também no terceiro trimestre. 

Ora o consumo, segundo dizem os analistas, economistas e até o ze-povinho (porque ate este consegue  perceber bem o que se dira a seguir) o consumo nao se verá muito afectado porque os agentes economicos ja fizeram desde há muito tempo (tanto quanto leva a economia portuguesa em crescimentos da economia de menos de 2% ao ano) um ajuste da sua funcao consumo de tal forma que agora esse mesmo ajuste nao é elastico com o que se passa a nivel mundial, ou seja, nao se verá alterado em quase nada. 

Bom resta pois a politica do estado...e nesta há que recordar as palavras do senhor Ministro das financas que admitiu há pouco tempo que se recusava a dizer que em Portugal houvesse recessao em 2008. 

Tal como o ministro e a economista-chefe, existirao alguns em Portugal que acham que podem dizer tudo sem ter com que pensar em potenciais consequencias de tais actos oratorios o de discurso meramente farsante. Mas continuo a acreditar que também há quem, enfrentando com o respeito e a dificuldade que desde há muito se deveria ter tido, a referida crise mundial, sabem que nao se pode “esconder o sol com uma peneira” e que Portugal esta farto de que lhe digam mentiras mesmo quando seriam mentiras que quereriamos ouvir. 

Coragem em politica nao se mostra por dizer o que os outros acham que nao se vai a passar. No meu entender, um politico corajoso é o que afirma o que se passa, quer os outros achem ou nao que se passe. 

Em Portugal precisamos mais de exaltacao, mas menos nas manifestacoes dos alunos e professores – atencao sem juizo de valor em cada uma delas. Menos nas dos magistrados e dos medicos. Menos nas greves. Menos nos protestos. Mais, muito mais na capacidade de demonstrar que o país nao precisava de arcar com o Estado se nao fosse desde há muito um Estado-dependente. 

Puxao de orelhas Por favor atencao à economista-chefe e ao ministro. 

Tuesday, December 9, 2008

Temillas 3 (como nas triologias dos filmes, sempre aquele que pode ser um flop)

Flop...porque vai ter que ser rapido este post...basicamente para dizer que o Governador do BdP é "A" notícia hoje:

Sem mais.


Thursday, December 4, 2008

Temillas II

Trago aqui à discussao duas pequenas questoes, quiça nao muito relevantes para quase ninguem, mas que acho vale a pena pensar sobre elas...se nao vejamos:
  • O PS insiste em manter o Estatuto dos Açores tal e como estava, contrariando os avisos do PR, que por sinal foi agora respaldado pelo constitucionalista afecto PS Vital Moreira. Mas gostava de dar voz a um cidadao que argumentou como ninguem o que se passa com este caso (FC de Braganca, comentando a noticia do apoio de VM à opiniao do PR no publico de hoje): É absolutamente vergonhoso o que se está a passar com o estatuto dos Açores. Não é só o a(r)tigo que limita os poderes do presidente, é também o surreal artigo que diz que o estatuto só pode ser alterado quando solicitado pelo parlamento regional açoreano!!!! Temos uma lei a auto-impor-se! Ora isto significa que jamais o estatuto pode alterar-se no sentido de algo que os açoreanos não queiram, mesmo que isso seja importante para o país como um todo, pois só pode ser revisto com autorização pelo parlamento regional e APENAS nos artigos que o mesmo parlamento indicar! É mais ou menos o mesmo que haver uma lei a dizer que por exemplo os médicos só trabalham 3 dias por semana e que essa lei só pode ser alterada se a ordem dos médicos autorizar, isto é surreal!! Independência aos açores já ou fim da autonomia!!

  • Por outro lado os atletas olimpicos reuniram-se para comunicar que nao aceitam com bons olhos a recandidatura do Comandante Vicente Moura (está há onze anos na liderança do COP, facto apenas verificado em duas outras ocasioes na epoca do estado novo como se pode verificar abaixo). Eu também nao. Porque? Primeiro, em Portugal ha que honrar com a palavra dada, temos de nos habituar a faze-lo. Se disse que saía depois de Pequim que nao fique. Segundo, porque tal como ja disse noutros posts, temos de deixar de ter cargos ad eternum. Estamos em democracia. O mais alto magistrado da nacao tem uma limitacao temporal de 10 anos no cargo. E é o PR, nao é o presidente do FCP. 11 anos, 3 olimpiadas depois, creio que ja chega para o dito senhor, alem de que já tinha sido presidente antes, para outra olimpiada! E se os atletas o dizem também devia chegar para muita gente. Fica a lista para que se nao diga que nao forneço dados que atestem o que digo. 
Escandaloso em qualquer dos casos.

Presidentes do COP

 

1909 – 1912                  Dr. Jaime Mauperrin Santos

Data Nascimento:           - 13/06/1857

Data Óbito:                     - 15/12/1913

 

1913 – 1918                  COP não activo

 

1919 – 1923                  Comdte. António Prestes Salgueiro

Data Nascimento:           - 05/09/1891

Data Óbito:                     - 09/03/1950

 

1924 – 1956                  Dr. José Pontes

Data Nascimento:           - 22/04/1879

Data Óbito:                     - 24/09/1961

 

1957 – 1968                  Engº. Francisco Nobre Guedes

Data Nascimento:           - 12/02/1893

Data Óbito:                     - 27/10/1969

 

1969 – 1972                  Gen. Alexandre Correia Leal

Data Nascimento:           - 12/09/1893

Data Óbito:                     - 04/02/1976

 

1973 – 1976                  Sr. Gaudêncio Costa

Data Nascimento:           - 29/07/1905

Data Óbito:                     - 22/07/1987

 

1977 – 1980                  Brigº. Daniel Sales Grade

Data Nascimento:           - 19/12/1907

Data Óbito:                     - 18/03/1998

 

1981 – 1989                  Engº. Fernando Lima Bello

Data Nascimento:           - 27/11/1931

 

1990 – 1992                  Comdte. José Vicente Moura

Data Nascimento:           - 21/09/1937

 

1993 – 1996                  Dr. Vasco Lynce

Data Nascimento:           - 06/08/1947

 

1997 -                            Comdte. José Vicente Moura

Data Nascimento:           - 21/09/1937

Temillas...

Sao realmente 2 noticias de pasmar...se nao veja-se:
  • A garantia do Estado no empréstimo dos 450 milhões de euros ao Banco Privado Português (BPP) não abrange a actividade de gestão de fortunas, disse o secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Carlos Pina, citado pela Reuters. O governante respondia a deputados da oposição, que acusaram o governo de estar a proteger um banco conhecido por gerir fortunas.
O aval do Estado permitiu a um consórcio de seis bancos avançarem com a operação, mas a garantia envolve apenas o passivo bancário do BPP, caso dos depósitos, ficando excluídas as responsabilidades da área da gestão de fortunas. O BPP tem cerca de 2 mil milhões de euros de activos sob gestão e capitais próprios de 256 milhões de euros, concentrando a sua competência no asset management.

Carlos Pina adiantou que a garantia do Estado tornou-se necessária "porque estava em causa o risco reputacional do sistema bancário de Portugal" face ao exterior. Frisou que se trata de uma garantia para "evitar a ruptura de pagamentos, de forma a permitir honrar os depósitos", tendo sublinhado que o governo tem uma posição "inabalável no sentido da defesa dos interesses e confiança dos depositantes e credores". No sindicato bancário estiveram a CGD, BCP, BES. Santander, BPI e CA.
Gostaria que o Sr. Secretario de estado possa aclarar um pouco o que esta a dizer, tendo em que o negocio do BPP é...gerir fortunas, tao e somente.

  • Função Pública recebe quatro vezes mais

    Os funcionários públicos têm, em média, reformas de valor quase quatro vezes superior à reforma média do regime geral. A revelação é feita por Eugénio Ramos, administrador das seguradoras Fidelidade Mundial e Império Bonança e também presidente da Comissão Técnica Vida e Fundos de Pensões da Associação Portuguesa de Seguradores. A associação tem promovido várias conferências sobre o futuro das reformas, em que  Eugénio Ramos faz questão de apresentar os números que espelham a realidade de contrastes entre reformas do regime geral e do regime da Função Pública.

    De acordo com Eugénio Ramos, que baseia as suas declarações em contas do Instituto Nacional de Estatística (INE) e da Caixa Geral de Aposentações referentes a 2005, as reformas médias do regime geral situavam-se nos 295,50 euros mensais, quando as reformas da Caixa Geral de Aposentações chegavam, em média, aos 1104 euros mensais, um valor 3,75 vezes superior.

    Quanto às pensões de sobrevivência, os funcionários públicos conseguiam em 2005 o dobro do valor conseguido no sector privado. Em média, uma pensão de sobrevivência no regime geral era, nesse ano, de 157 euros, mas na Caixa Geral de Aposentações o valor médio mensal chegava aos 368 euros.

    Ainda de acordo com as contas do INE e da Caixa Geral de Aposentações, existiam em 2005, no regime geral, 2074 reformados e 685 pensionistas, suportados pelas contribuições de 4760 beneficiários activos. Na Caixa Geral de Aposentações estavam registados no mesmo ano 378 reformados e 127 pensionistas, sustentados pelos 740 beneficiários activos.

    A ser verdade acho fantastico...ainda que possam existir efeitos estatisticos perversos na análise. Sem comentários.

    Ambas as noticias provem do diario Oje (www.oje.pt)

A maior de sempre...

O BCE decidiu efectuar hoje um corte em 75 pontos basicos, o maior corte jamais feito no espaco da zona Euro. Havia que recuperar terreno porque relativamente à economia americana ja se verificava um diferencial elevado e sobretudo porque o perigo de inflacao que tem sido o driver de actuacao do BCE agora passou a perigo de... deflacao e esse é um cenário mais complicado de gerir. 

Por isso a actuacao tao veemente. Veremos como continua a reagir o mercado interbancário sobretudo, aquele que nos ultimos meses tem sido o maior beneficiado pela politica do BCE e dos demais bancos centrais.

P.S.: Alguem que ensine os jornalistas a ler bem as notas de imprensa ou a saber fazer o calculo simples de que 0,02% de 450 milhoes de euros NUNCA pode ser 450 mil euros....DUHHHHH!



Wednesday, December 3, 2008

O inicio do fim...? Contos de várias partes da Galáxia financeira


Pois parece efectivamente que a coisa esta a recomecar a ser mais parecida com alguma coisa que estavamos habituados (nao dos tempos de loucura de 2006/7, mas em geral).

A UBS publicou um research onde estima potenciais de valorizacao no mercado accionista europeu de 25% e no americano de mais de 50%. Segundo o negocios.pt diz a UBS: “Acreditamos que 2009 vai trazer o reinicio da confiança, com os primeiros sinais a surgirem bem mais cedo do que muitos investidores estão à espera”

Mas atençao que o ano passado a mesma UBS ja estimava crescimentos para 2008...e veja-se o que se passou. por isso o resto da noticia é bom por aqu de manifesto.

Como a economia americana foi a primeira a entrar em recessão, o UBS estima também que seja a primeira a recuperar. Por isso, prevê uma valorização de 53% no S&P500 até ao final de 2009, face aos níveis actuais. No ano passado o mesmo banco de investimento estimou uma subida de 16% para 2008 e o índice recua mais de 40%. 

Para a Europa a aposta é mais conservadora. O UBS estima que o índice FTSEurofirst 300 termine 2009 nos 1.050 pontos, 25% acima dos níveis actuais. 

“As perspectivas macroeconómicas e para os resultados das empresas em 2009 [na Europa] são horríveis”, reconhece o UBS, estimando uma descida de 0,9% no PIB da Zona Euro e uma queda de 25% nos lucros por acção.

“Mas o preço das acções já desceram para níveis bem abaixo deste cenário e estão agora a reflectir uma perspectiva vários anos de recessão/depressão”, adianta a mesma fonte, para justificar a expectativa de subida nas cotações das acções em 2009. 

Para chegar à previsão de uma subida de 25% nas acções em 2009, o UBS utilizou uma estimativa de PER (relação entre cotação e lucros por acção) de 13, já considerando uma forte redução de lucros.

Entretano, noutra parte da galáxia tivemos noticias e dados concretos da economia americana: o numero de desempregados aumentou mais uma vez (ADP survey) mas que em contraste verificou-se um aumento exponencial do numero de pedidos de emprestimo (crecimento de 112%) ainda que partindo de uma base muito fustigada, é certo.

Contudo este indicador deverá ser uma antecipacao do que se possa vir a verifcar na Europa, com a prevista descida das taxas directoras do BCE amanha.

Seja como for parece que sao boas noticias...this is your captain speaking. Please stay on board with "the" Enterprise!


Tuesday, December 2, 2008

Primeira pagina


O mundo financeiro parece lentamente regressar a uma normalidade...ainda que seja de grande ajustamento.

Do dia de hoje destacam-se varias noticias:
  • o petróelo ja perdeu efectivamente mais de 100 USD desde o seu maximo historico de Julho de este ano...ai quem ganho tanto dinheiro com isto, como passa agora!
  • a euribor está em mínimos de 2 anos...afinal as medidas resultam. Resta saber quando o mercado interbancario voltará à normalidade, sem que necessite da respiracao assitsida dos bancos centrais;
  • as cotadas valem em bolsa o que aproximadamente detem em divida...bom valor nulo para os accionistas...?
  • os ministros das financas esvaziam a proposta da Comissao Europeia para um pacote global ao nivel dos varios estados membros...Durao sente mais uma vez a ineficacia do sistema no que toca a adopcao de medidas coordenadas...so quando tocou a recorrer ao BCE todos se puseram em sentido! Até a Dinamarca aderiu à Zona Euro;
  • O BPP foi salvo por um consorcio de 6 bancos e a entrada de gestores nomeados pelo BdP...enfim esta é uma situacao que deverá ser analisada com cuidado, porque uma vez reconhecida pelo BdP a inexistencia de risco sistemico para o sistema financeiro portugues, pode abrir um mau precedente...

E assim acontece...

Friday, November 28, 2008

(Des)Emprego

Segundo os ultimos dados estatisticos do INE, Portugal manteve pelo quinto mes consecutivo uma taxa de desemprego de 7,8%. 

Do meu ponto de vista podemos fazer 2 tipos de análise:
  • Trata-se obviamente de uma informacao que é positiva relativamente à economia portuguesa e à sua capacidade de aguentar com o impacto a nivel imdeiato da crise. 
  • No entanto sabemos perfeitamente que a economia portuguesa tem um defice temporal de ajustamento relativamente prolongado pelo que este indicador deve ser tido em consideracao e analisado mas com muitissima precaucao e esperando que o mesmo va efectivamente piorar ao longo dos proximos 6 meses, à medida que a situacao das economias na UE se agrave (Em 2009 as previsoes apontam para quedas de PIB de 1,4% no Reino Unido, 1% em Italia, 0,9% em Espanha e igual na Alemanha), ou seja o nosso país ver-se-á afectado gravemente com um desfase temporal elevado no que se refere à alocacao de recursos e populacao activa.

Esperemos a ver

Thursday, November 27, 2008

Quick words, from the last days, on...

  • BPP: Joao Rendeiro afinal ainda é funcionário publico (http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=342788)
  • O pior ministro das financas segundo o FT(de que país será...lol) nao quer assumir que Portugal esteja em recessao... (http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=343030)
  • Em breve "post"erei sobre um conjunto de temas que parecem hoje cruciais: Novo modelo de negocio de private equities; Public equity vs. Private equity; Obama; EU e o que necessitamos ter como ferramenta de politica; Relatorios do BdP, nomeadamente sobre supervisao do sistema financeiro portugues pelo FMI; politica economica e de educacao; desafios para os que querem ser os novos lideres.
Ate la simplesmente dizer que o Citi foi salvo...provavelmente um dos maiores bailouts da historia...resta saber se alguem agora diz que o modelo de negocio também faliu pela banca de investimento naquele que era o maior banco de retalho do mundo...

Tuesday, November 25, 2008

As expected...


Propostas de Bruxelas vão ser anunciadas amanhã
Plano de relançamento europeu admite défices excessivos nos próximos dois anos 
25.11.2008 - 20h56 AFP
A Comissão Europeia vai encorajar os países europeus a lançar um plano coordenado de relançamento orçamental, num montante total de 130 mil milhões de euros e com duração de dois anos. Ao abrigo desta iniciativa, Bruxelas admite não penalizar os países que ultrapassem os limites impostos ao défice público, mas a partir de 2011 ser-lhes-á exigido que corrijam as derrapagens.

“A Comissão propõe que os Estados lancem planos de relançamento temporários e específicos, a aplicar de imediato”, lê-se na primeira versão de um discurso que Durão Barroso deverá tornar público amanhã e ao qual a AFP teve acesso. 

Esta iniciativa, acrescenta o texto, “está prevista para um período máximo de dois anos (2009-2010), após o qual os orçamentos dos Estados-membros devem comprometer-se a corrigir a deterioração orçamental e voltar a médio prazo aos objectivos” de equilíbrio das contas públicas. 

O executivo europeu sublinha que o Pacto de Estabilidade e Crescimento, que prevê um limite de três por cento para o défice público nos países da zona euro, não deve ser esquecido durante este período, mas deixa perceber que não irá punir os Estados que ultrapassarem estes valores, tendo em conta “as excepcionais circunstâncias” económicas. Em concreto, os Governos deverão dispor de um prazo mais alargado para corrigir os seus défices. 

“O que Comissão está a dizer, grosso modo, é que em 2009 e 2010 vários Estados vão ter défices excessivos, mas depois terão de os corrigir”, explicou um diplomata europeu, que falou à AFP sob condição de anonimato. 

Bruxelas responde, assim, favoravelmente aos pedidos feitos por vários chefes de Governo, como foi o caso do Presidente francês e da chanceler alemã, para uma aplicação “mais suave” do PEC, dando margem de manobra aos Estados para responderem à crise. 

Bruxelas sugere várias medidas 

O texto a que a AFP teve acesso não revela o montante total deste plano, mas Barroso fez saber no último fim-de-semana que a iniciativa conjunta não seria “certamente abaixo” de um por cento do Produto Interno Bruto dos 27, ou seja, cerca de 130 mil milhões de euros.

Bruxelas propõe que os países avancem com medidas individuais, a par de um reforço dos fundos europeus, e lança algumas pistas sobre quais devem ser a prioridades dos Estados, seguidas já por alguns Governos.

A Comissão recomenda em particular medidas associadas à despesa pública, “que tem um impacto a curto prazo sobre a procura”, e aconselha os Estados a investirem em projectos de apoio às pequenas e médias empresas ou para as famílias “mais afectadas pela desaceleração económica”. A este propósito sugere “transferências reforçadas para as famílias desempregadas ou de baixo rendimento” ou ainda “um prolongamento temporário dos subsídios de desemprego”. 

Bruxelas defende ainda a redução de impostos indirectos, como é o caso do IVA, a fim de “dar um impulso forte ao consumo”. O Reino Unido já anunciou que vai reduzir a sua taxa máxima de IVA de 17,5 para o mínimo europeu de 15 por cento, mas Alemanha e França contestam uma baixa generalizada dos impostos.

Noutras frentes, a Comissão propõe a redução dos impostos sobre os rendimentos, em particular para os salários mais baixos, e incentivos fiscais às empresas em energias alternativas. São igualmente apontadas medidas específicas para os sectores automóvel e da construção, entre os mais afectados pela desaceleração da economia.

A acompanhar este plano, surge um apelo ao Banco Central Europeu para que reveja em baixa a sua taxa directora, sublinhando que existe “margem para novas reduções”, consideradas essenciais para favorecer o crescimento.

Saturday, November 22, 2008

Há que dizer bem também

Ás vezes é preciso dizer bem...e dizer que há iniciativas que pelo menos parecem direccionadas no caminho certo.

A politica do Governo relativamente á construcao de uma rede de abastecimento para os carros eléctricos soa muito positiva e do meu ponto de vista correcta. Apesar de ter lido há alguns dias atras que o nivel de poluicao provocada por carros ditos ecologicos seria maior que os dos actuais que utilizamos, a verdade é que continuo a acreditar que assim nao é. 

Criar aliancas com quem produz ou deve ter a iniciativa empresarial de produzir estes bens é fundamental. Proporcionar condicoes que deviam estar implementadas e nao estao por via de um status quo que simplesmente prefere manter a situacao actual ate que ja nao seja possivel explorar o actual modelo de mobilidade, é algo que nesta fase deve ter uma mao dos governos.

Iniciativas do ponto de vista fiscal como as anunciadas - abolicao do importo de circulacao e beneficios fiscais em sede de IRS/C - sao boas medidas. Medidas que acho que estao no caminho certo da sociedade que devemos construir, uma sociedade de alternativas, de escolhas para os que querem que este paraiso que é a Terra possa efectivamente durar mais que a geracao dos nossos netos.

Para que a geracao dos nossos bisnetos nao viva numa obscuridade e falta de escolhas.
Para que nao digam que quem critica nao diz bem, so diz mal.

Parabens por esta iniciativa Sr. Primeiro Ministro.

Friday, November 21, 2008

O ex-maior banco do mundo...

(in Cotizalia, WSJ)

Citigroup está considerando la venta de activos e incluso la venta de toda la compañía, según The Wall Street Journal. El consejo de administración del banco se reunirá hoy para discutir las diferentes opciones, según el diario. Las acciones de Citigroup, que ha presentado pérdidas de 20.000 millones de dólares durante los últimos cuatro trimestres, se han hundido un 50% esta semana. Ayer, la compañía se desplomó un 26% y el miércoles, un 23%. En lo que va de año, el derrumbe se sitúa en el 70%. 

La venta de la totalidad de la compañía es sólo una de las opciones que estudiarán los ejecutivos del banco. Su consejero delegado, Vikram Pandit y otros ejecutivos de la compañía han manifestados que se sienten frustrados y confundidos por el duro golpe bursátil recibido esta semana. 

Las acciones de Citigroup cerraron ayer en 4,71 dólares, su nivel más bajo en 15 años, pese al anuncio realizado ayer por el investor de Arabia Saudí, el Príncipe Alwaleed bin Talab bin Abdulaziz Al Saud, de que aumentará su participación en el banco hasta el 5%. 

Además de la venta total del grupo, los ejecutivos estudian desprenderse de diferentes activos de la compañía, como Smith Barney. Asimismo, estarían considerando la posibilidad de fusionarse con un rival. En este aspecto, algunos analistas han dirigido sus miradas hacua Morgan Stanley y Goldman Sachs.

Cuidado Sra.Jornalista...

O artigo nao esta mal redigido mas este tipo de expressoes é muito feio...para este nivel de jornalismo generalista digo (in Público):

Tendo em conta a natureza do BPP e a sua dimensão, dificilmente o Banco de Portugal e o ministério poderão dar luz verde ao aval de 750 milhões. Daí terem procurado antes encontrar uma solução que resultasse na absorção da instituição por outra.

Se esta via falhar, admite-se que o BdP e as Finanças acabem por dar um aval, embora de menor valor, e mais adequado à dimensão do banco de João Rendeiro. Outra hipótese de salvamento pode passar pelo BdP, que, do ponto de vista legal, tem possibilidade de ajudar um banco em dificuldades (metendo lá dinheiro). Neste caso, o Governo indicará administradores provisórios para o BPP.

O belo adormecido acorda

Parece que o BdP vai vetar a garantia pedida pelo banco de Joao Rendeiro de 740 milhoes. Porque? Bom porque parece que tal financeiramente nao aparenta ser viavel e prejudica o sistema financeiro ao nivel do seu funcionamento.

Bom nao se conhece bem os caminho intricados da historia do BPP. Mas sabemos todos o que era a sua politica de gestao/ criacao de produtos para venda aos seus clientes a nivel de banca privada e institucional. Esperemos para ver.

Entretanto quando parece que o BdP começa a levantar ligeiramente a cabeça para ver a dimensao da floresta onde as arvores que deve controlar estao imersas, temos o Governo Portugues a actuar como Paulson/Bush em Agosto passado.

O Secretario de Estado Carlos Costa Pina parece estar em negociacoes para encontrar um comprador para o banco...nao vai acontecer o que se passou com a Lehmann as devidas proporcoes porque tambem agora a consciencia das autoridades governamentais é outra totalmente diferente, mas que podemos ter a segunda nacionalizacao em marcha, isso que ninguem duvide.

La se vais o défice...se bem que o proprio Rendeiro ja tinha avisado que tinha a corda nao sei se ao pescoço á cabeça ou nos pés e ja de pernas para o ar!

22/10/08, 20:42

Os bancos portugueses vão precisar de uma recapitalização de 4,7 mil milhões de euros para ultrapassarem a crise financeira e atingirem um nível sustentável no rácio de Tier I, indicador que mede a solvabilidade de uma instituição, disse ontem João Rendeiro, presidente do Banco Privado Português.

 

Numa apresentação feita na Associação Portuguesa de Analistas Financeiros (APAF), João Rendeiro adiantou que, em Espanha, os bancos irão precisar de uma injecção de 39 mil milhões de euros para atingir o mesmo objectivo.  O presidente do BPP acrescenta que será necessário ainda um aumento generalizado da dívida pública para financiar os planos de recuperação e de resgate dos bancos o que implicará uma subida das taxas de juro de longo prazo.

O custo médio fiscal líquido das recapitalizações do sistema financeiro deverá ser em média de cerca de 6% do PIB, mas no caso português o impacto será menor, sendo necessário 3% do produto, adiantou o presidente do Banco Privado Português.

João Rendeiro disse que os mercados financeiros deverão estabilizar no último trimestre deste ano e que os níveis actuais são 'um bom suporte para investimento a médio e longo prazo'.

Thursday, November 20, 2008

Governar...







...é uma tarefa muito árdua, ninguem duvide. Mas por favor nao facilitem a vida de quem quer criticar (e pode, porque com este nivel de capacidade para cometer erros e dizer besteiras...)! A sério...é de por os cidadaos em choque absoluto!


«Durante estes dias ouvimos todas as escolas», bem como «o parecer e a visão sobre os problemas que temos pela frente de muitos conselheiros peritos», adiantou a governante, frisando que nesses encontros foram identificadas «três áreas com problemas».

 

Nao se poderia ter feito isto antes? Melhor nao se devia ter feito isto antes?

Como devem funcionar os governos de um ponto de vista razoavel: Primeiro ouvir as partes e depois decidir (independentemente de ser algo que todos acabem aplaudindo) ou decidir primeiro e ouvir depois e voltar a re-decidir em consequencia? É que se este fosse um tema virgem...mas nao é...

 

Uma das medidas aprovadas pelo Governo passa por permitir que os docentes avaliados possam ter avaliadores da sua área de ensino e não de outros como acontecia até agora.

 

Parece-me razoavel. Porque nao foi aceite antes?

 

A segunda área que mereceu alterações por parte do Executivo prende-se com a «excessiva burocracia» aliada ao modelo de avaliação de desempenho dos docentes, que «não faz sentido nem para avaliadores nem para avaliados», adiantou a titular da pasta da Educação.

 

Bom...nao entendo quem faz leis/ legislacao em que sector seja, e em pouco tempo reconhece que fez algo burocratico e que nao vale a pena. Porque nao foi feito antes de forma nao burocratica?

 

As alterações passam ainda por permitir uma diminuição da carga de trabalho dos professores, sobretudo no tempo necessário para o «preenchimento de fichas de registo de avaliação».

 

Noto aqui um problema de simplifcacao de procedimentos que das duas uma, ou era efectivamente excessivo antes, o que nos levaria à pergunta já feita nos dois pontos anteriores, ou se revela como um relaxamento pernicioso que nao entendo muito bem como se acaba por conceder. Gostava que me explicassem, como cidadao.

 

Em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros extraordinário, Maria de Lurdes Rodrigues anunciou que os resultados escolares dos alunos deixarão de constituir um parâmetro da avaliação dos professores, por se ter constatado que este critério «revelou dificuldades técnicas e de aplicação».

 

Como? Queremos entao dizer que a avaliacao de um professor nao tem em minima conta os resultados dos alunos? Bem... sem mais informacao...nao entendo porque. Vamos admitir que a avaliacao que fazemos dos policitos, desportistas, banqueiros, empresarios, juristas, medicos, etc...nao depende dos resultados que produzem, directa ou indirectamente...por dificuldades técnicas digamos. Seria uma sociedade bem diferente. E se há dificuldades técnicas em muitas destas profissoes.

(Será que Carlos Queiroz se podera ver fora do comando tecnico da seleccao mesmo que perca todos os jogos que faltam ate ao final do apuramento para o Mundial?)

 

Entre as medidas de simplificação está ainda a redução do número de aulas assistidas de três para duas (33% que em todo o caso faz imenso sentido...espera algo me diz que isto nao é o fim...), que, ainda assim, só se realizarão por solicitação dos docentes(boa!!!! A avaliacao é feita neste parametro se o docente o pedir...excelente procedimentos neste ponto...espera algo me diz que nao acaba AINDA aqui...), apesar de serem imprescindíveis para a obtenção das classificações máximas(bom agora é que estou baralhado...sao imprescindiveis mas o docente é que sabe se as quer pedir ou nao? É erro da/o jornalista com certeza...ah ja percebi, os docentes nem querem ter notas boas, só más).

 

Depois deste recuo (???? Quem recuou???? Ah....ok recuar nao, mudar e ceder, ou reconhecer erros, ou fazer vontades, ou assumir disparates...bem o que for, nao interessa também do ponto de vista pratico, certo?), a ministra da Educação mostrou que o final do “braço-de-ferro” entre o Governo e os sindicatos quanto a este modelo de avaliação está agora dependente dos sindicalistas. (Espantoso...!!!!)

 

 

A governante fez saber ainda que, sexta-feira, vai reunir com os sindicatos para apresentar as alterações aprovadas pelo Executivo.(Bom principio dialogante...cheira-me que assim as coisas vao andar em Portugal no sentido de decidir, ouvir, voltar atras, decidir...nao sei quando termina. Vejamos se isto passará por exemplo com... o fenomeno NovAlcantara!!!!! Ou sera que nesse caso nao se ouvira mais ninguem?...Digo isso sem que esteja a defender nem os professores, nem quem esta contra a concessao atribuida à Mota-Engil...simplesmente se trata de uma reflexao).

 

 

(La piéce de resistance...)

No período de perguntas dos jornalistas, Maria de Lurdes Rodrigues sublinhou que o modelo não sai beliscado com as alterações agora decididas e frisou que o sistema de avaliação tem de ser aproximado daquilo que acontece nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

 

COMO ESTAVA ANTES NAO ERA E COM ESTAS ALTERACOES É ????? NAO POSSO CRER !!!!!!

 

Questionado pela TSF, o ministro da Presidência também presente na conferência de imprensa, rejeitou que na base das alterações ao modelo de avaliação dos docentes estiveram eventuais pressões politicas, inclusive do PS, para que o Governo recuasse.

 

Pedro Silva Pereira explicou que a simplificação anunciada resultou da experiência comprovada, já que o Governo esteve a avaliar nas escolas como é que o modelo estava a ser recebido e aplicado. (ok...parece-me um bom procedimento...mas há quanto tempo esta a decorrer esta experiencia? Nao creio que muito tempo...acho que se trata de uma medida que creio se aplicava a partir deste ano lectivo e com algumas matizes...seguramente estou mal informado...bolas!)

2 em 1...?

Em Portugal parece que os factos relevantes da actualidade seguem agora as famosas promocoes de supermercado...em menos de 20 minutos 2 (boas?) noticias importantes...




Ministra anuncia simplificação do modelo de avaliação dos professores

Hoje às 18:41

A ministra da Educação anunciou, esta quinta-feira, várias alterações ao modelo de avaliação de desempenho dos professores, no final do Conselho de Ministros extraordinário realizado esta quinta-feira para debater aquele polémico modelo

 

...

 

José Oliveira e Costa detido

Hoje às 18:26

José Oliveira e Costa foi, esta quinta-feira, detido por suspeita de burla agravada, falsificação de documentos, fraude fiscal e branquemento de capitais, na sequência de duas buscas domiciliárias feitas a uma quinta que o antigo administrador do BPN possui na zona do Cartaxo e a uma residência em Lisboa.

Um feliz Natal...ou talvez nao.

Arvore de Natal no Rockfeller Center...um ano dificil o de 2008

Ja comecou há muito a correria desenfreada para o apogeu da época natalicia. 

Obviamente nao há ainda os sinais mais evidentes do panico-de-ultima-hora-do-dia-24 mas além dos comerciantes que já se lançaram na captacao dos "early-clients", existe uma preocupacao normal para esta época do ano com o negócio e com o volume a registar nas proximas semanas. Faltam aproximadamente 4 ou 5 semanas para o dia em que nos sentamos em familia a ver o filme de natal em nossas casas. Mas este ano a loucura desenfreada, o consumismo exarcebado, os brinquedos, os gadgets, os electrodomesticos, os perfumes terao uma maior dificuldade em chegar a nossas casas pelo menos nos índices de penetracao que foram habituais nos ultimos tempos.

É uma má noticia? Bom por mim nao se estivermos a falar de retrair o desenfreado gasto que normalmente muita gente realiza nesta epoca do ano. Obviamente que má noticia pela parte de que tal realidade ajustada se fica a dever à recessao que atinge a economia mundial. Mas em si mesmo este fenomeno tem uma caracteristica mais importante: revela um potencial de deflacao que pode supor uma epoca conturbada para as economias em geral.

No Reino Unido, segundo dados da Capital Economics, as vendas de retalho caíram 0,1% em Outubro, ao mesmo tempo que as vendas de produtos nao alimentares registavam uma queda acentuada de 1,1%. Este cenario indica que os agentes estao a ajustar drasticamente a sua funcao consumo. Refere a CE que as vendas de vestuario foram reduzidas em mais de 3% em um mes. Consequentemente os retalhistas e comerciantes estao a reagir com cortes em preço que acabam por nao funcionar como normal, mais ainda porque este ajuste de comportamento gastador dos consumidores é sobretudo de gestao de expectativas de cara ao proximo ano.

Por outro lado nos EUA os preços registaram uma queda abrupta em Outubro, com um decrescimo face ao mes anterior de 1%. Os analistas apontam que a inflacao, que ainda em Junho Julho Agosto estava bem acima dos 5%, acabara o ano abaixo de 2% e para 2009 entrará em terreno negativo. 

Para este desiderato nao nos podemos esquecer que só a materia-prima petroleo passou de custar 140 USD em Julho a rondar os 50 USD nos dias que correm (há quem arrisque que chegara aos 30, mas acho que isso Chavez nao permitira mesmo...ja nao falo do intervalo 80-90). Por outro lado todas as outras commodities estao em desacelaracao de custo acentuada.

Ora em geral este tipo de noticias sao boas noticias. Mas nao no contexto actual, onde a emagadora maioria dos sectores nas economias estao sem folego, parados, a retrair-se ou com muitissimas dificuldades em sobreviver. O desemprego é uma bola de neve que neste momento nao tem muito controle, ainda que nos proximos meses com o estancar de algumas hemorragias possa vir a estabilizar ainda que em niveis que deixam o pleno emprego longe, mais longe que a proxima galaxia em termos fisico-espaciais.

Hoje em dia o Natal de 2007 parece uma miragem. E o de 2006 uma autentica utopia. Nao porque os presentes sejam menos ou mais ajustados à realidade vivida (isso talvez de alguma forma acabe por ser assim para a maioria em 2008), mas porque tal como insisto desde há algum tempo precisamos de lideranca. Nada melhor que uma epoca onde se presume uma lideranca espiritual para requerer que os nossos representantes eleitos e a eleger tenham a consciencia do dever publico para com as populacoes que servem, repito, que servem (ou pelo menos deviam servir).

Boas compras...dentro do que cabe.

Tuesday, November 18, 2008

Fado...


Perdonad mi ausencia del mundo bloguero, pero curro apierta! :)

Bem este post é historico.
Alem de ser uma capicua, efectivamente confirmo hoje que o nosso país (ainda que à distancia) está entregue a gente de "enorme" qualidade...nao posso crer que numa pagina inicial do Negocios.pt (já sei que é jornalismo e há sempre algo de sensacionalista mas nao pode ser tu sensacionalismo).

Sera possivel???? ou como ja me conhecem..."Como é que é possível??!!!"...em 4 noticias nao há um protagonista que se aproveite? (e por favor nao me digam que o governador do BdP esta a dizer algo bom da economia nacional, porque comerei as minhas unhas - coisa que nunca fiz - se no final de este ano a economia portuguesa tiver um crescimento de 0,5%...a todos os niveis impressionante).

Jose Socrates falha objectivo de 150.000 empregos (Sera pela crise???? NAO!)
Manuela Ferreira Leite tera afirmado que deberiamos passar 6 meses sem ser num regime democratico? Nao pode ser.
Texeira dos Santos o pior ministro das finanças da UE??? (quero um buraco com a nossa bandeira)
E para rematar...VC confirma que vamos superar a crise.

Bom...acho que preciso de uma aspirina. Duas, melhor. 
(valha-nos a clarividencia de discurso de Paulo Azevedo para compor um pouco este quadro negro!)

Thursday, November 13, 2008

Post #100: Pas mal...

Ainda nao...mas ja devemos estar mesmo quase, nao Sr. Governador?
Quem é pior cego: o que nao vê ou o que nao quer ver?

(in Negocios.pt) 

Vítor Constâncio diz que ainda não está confirmada uma recessão na Europa

O Governador do Banco de Portugal disse hoje que ainda não está confirmada uma recessão na Europa e que é uma apreciação enganadora pensar que o BCE falhou na estabilidade dos preços.

 “Ainda não estamos a falar acerca de uma recessão generalizada. Antes das projecções que serão conhecidas em Dezembro, não vou comentar. Uma recessão ainda não está confirmada”, pelas estimativas do Banco Central Europeu (BCE) afirmou Vítor Constâncio em Frankfurt, citado pela Bloomberg.

 As novas projecções da OCDE apontam para contracções simultâneas na Zona Euro e nos Estados Unidos, antecipando quatro trimestres consecutivos de retracção nos dois principais “motores” da economia mundial. Em Junho, a OCDE previra que a economia norte-americana iria sofrer apenas um trimestre de contracção, com a Zona Euro e o Japão a desacelerar, mas sem sair de terreno positivo.

 As novas previsões da OCDE são, ainda assim, menos pessimistas do que as divulgadas há precisamente uma semana pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que diz estar-se perante a pior recessão desde 1945.

 Também a Comissão Europeia prevê uma contracção nas principais economias da Zona Euro já este ano.

 O Governador do Banco de Portugal explicou que “estamos sempre a analisar os dados e vamos ver no próximo mês o que decidimos. Não vou fazer comentários”.

 Sobre a inflação sublinhou que “é claro que as expectativas de inflação permaneceram em torno dos 2% nos últimos anos. É uma apreciação enganadora pensar que o BCE falhou na estabilidade dos preços porque a média da inflação tem sido ligeiramente acima dos 2%”.

 Em relação ao euro, Vítor Constâncio considera que “criamos uma moeda robusta e forte cm um papel internacional. Temos vindo a assegurar a estabilidade na Zona Euro no seio de vários choques”.

 Sobre Portugal, acredita que “em 2008 teremos a inflação abaixo da média da Zona Euro”.

Cara e Coroa (in DN)

Cara...

 É mais uma coincidência que terá passado ao lado de Vítor Constâncio: nos últimos anos, empresas brasileiras do universo da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) foram financiadas através do Banco Insular de Cabo Verde (BI). Os registos das transacções são públicos, encontrando-se no site do Banco Central do Brasil. O levantamento feito pelo DN permitiu apurar, entre 2004 e 2007, uma verba que ultrapassa um pouco os 300 milhões de euros de transferências do Insular para contas no Brasil. 

Uma boa parte daquela verba foi canalizada para a Ergi, uma imobiliária brasileira que, até Dezembro de 2006, fez parte do universo de empresas ligadas à SLN. Ora, uma vez que só em 2008 o BPN assumiu a propriedade do BI, o volume de transferências indicia um financiamento encapotado do próprio BPN à empresa que pertenceu ao mesmo grupo. Mas, como oficialmente, o BI não era do BPN, as contas do primeiro não estavam reflectidas no banco português. Além da Ergi, o BI também transferiu dinheiro para outras empresas brasileiras.

Este tipo e operações terá em muito contribuído para o buraco no BI. Que, segundo uma carta da administração do BPN ao Banco de Portugal (de 2 de Junho de 2008), rondaria os 400 milhões de euros. Aliás, tal como Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, afirmou na madrugada de quarta-feira na Assembleia da República. 

[A] carta, feita pela administração de Abdool Vakil, que precedeu a de Miguel Cadilhe, revela ainda os accionistas da sociedade que controla o BI. A Insular Holdings está ligada à Mariziou Holdings. O BPN confirmou, então, que esta estava ligada à SLN. Por sua vez, os accionistas da Insular são, precisamente, José Vaz Mascarenhas, presidente do conselho de administração do BI, e os vogais José Luís Fernandes Lopes, Sérgio Centeio, Casimiro Taveira e João Gourgel. Os dois primeiros, segundo uma fonte liga à justiça de Cabo Verde, têm fortes ligações ao actual governo daquele país africano. Sérgio Centeio foi, aliás, ministro da Agricultura logo após a independência. Já José Luís Fernandes Lopes chegou a ocupar o sempre apetecido cargo de embaixador nos EUA.

 

...e coroa

 

"Os melhores cérebros não estão na supervisão"

 O governador do Banco de Portugal (BdP) não reconheceu ter cometido qualquer erro da supervisão no caso BPN, durante o seu encontro com os deputados no Parlamento, justificando que "a supervisão da banca não é feita como a supervisão de uma fábrica de parafusos ou de salsichas". Mas as críticas ao desempenho global do BdP na supervisão - à luz dos casos BCP e BPN -, não param, centrando-se na deficiente actualização das suas competências ao ritmo das mudanças no sector bancário comunitário.

 "O Banco despromoveu a nobreza da área de supervisão dentro da sua estrutura. Por exemplo, os estudos de investigação são feitos, na esmagadora maioria, sobre mercado monetário, economia, trabalho. Não são sobre supervisão bancária", disse ao DN o professor do ISEG, João Duque. Nesta lógica, "o BdP só tem cerca de 60 pessoas a fazer a supervisão. E vai buscar os melhores cérebros às universidades para fazer estudos fora da área de supervisão", acrescentou.

 Críticas apoiadas pelo anterior ministro das Finanças, Bagão Félix, que à Lusa sublinhou que o governador deu, no Parlamento, "uma visão conformista e resignada da supervisão bancária. Pareceu-me uma prestação muito passiva que é incompatível com a complexidade do mundo bancário". Já para o economista António Nogueira Leite, Constâncio "não cometeu nenhuma falta grave, foi apenas um gestor menos eficiente dos recursos que o país lhe confiou". E completou, em declarações à Lusa: "O BdP ainda está hoje, 10 anos depois da entrada no euro, muito vocacionado para a condução da política monetária, onde só tem um papel coadjuvante".

 

Wednesday, November 12, 2008

Noticias deste dia 12 de Novembro




Olhando para a pagina de entrada do Negocios.pt, percebemos 3 coisas directamente:
  • O petroleo esta no limiar dos 50 USD...algo nao visto em 22 meses - bem parece obvio que em muitos meses antes nao tinhamos visto uma recessao nem muito menos uma deste calibre. Ainda assim a Agencia Internacional de Energia diz que se acabou o tempo do petroleo barato (cheira a Chavez aqui...nao?). Seja como for o mercado parece dizer à AIE que "its all about supply and demand baby, supply and demand baby!". Claro isto no curto prazo, porque no medio prazo de acordo com o que diz a AIE que considera que os consumidores pagarão uma média de 100 dólares por barril de petróleo ao longo dos próximos sete anos e mais caro a partir daí (200 USD em 2030). Afinal temos mais tempo para pormos a inovoacao ao servico das populacoes sem a pressao do incentivo mais eficaz que existe: dinheiro. Funcionará?
  • O Euro atingiu um maximo historico frente à Libra de 0,8314 euros/libra. Por quanto tempo pergunto eu? Bem trata-se da consequencia normal de uma politica de juros mais agressiva do BoE, que quem sabe nao tera de ser seguida rapidamente pelo BCE, e obviamente da recessao que esta a afectar também rapidamente o Reino Unido por força do abatimento do mercado imobiliario britanico (ha que dar razao à economista-chefe, lá tem mais força);
  • Paulson recua e deixa de utilizar dinheiro para comprar activos subprime e, ao invés, ajudar os bancos a recapitalizarem-se e assim continuarem a poder emprestar aos agentes.
Pois parece que a verdade vem sempre ao de cima.
Já veremos que se passa em Portugal.

Brown, Krugman, Roubini were all right


Pois o secretario Paulson veio reconhecer que o plano de bailout por compra de activos baseados no subprime imobiliario nao podia resolver nada do que afecta neste momento as economias pelo que haverá que transforma-lo em programa de recapitalizacao dos bancos e instituicoes financeiras para que estes possam seguir com as suas funçoes de prestadores de liquidez ao sistema.

Brown, Krugman, Roubini et all ficaram de certeza muito satisfeitos. Até Mankiw aplaude.
Pois aí está.

(in Negocios.pt)

Secretário do Tesouro dos Estados Unidos abandonou o plano de compra de activos tóxicos, pretendendo agora usar parte do dinheiro do Plano Paulson para estimular o crédito ao consumo.

“A falta de liquidez neste mercado [divida emitida sobre crédito à habitação] está a aumentar os custos e a reduzir a disponibilidade de crédito para compra de carro, para a educação e para consumo”, disse Paulson hoje em Washington, num discurso que marca uma viragem no plano que o próprio delineou logo após a falência da Lehman Brothers.

A falta de crédito está a “reduzir o número de empregos na nossa economia”, defendeu.

Este plano, conhecido por TARP – Troubled Asset Relief Program, tinha como principal objectivo reanimar o sector com a compra dos activos tóxicos que originaram a grave crise financeira, mas agora Paulson diz que a aquisição destes activos “ilíquidos” já não está a ser considerada.

O secretário do Tesouro está a explorar uma nova medida para reanimar o mercado de dívida hipotecária, que passa por utilizar uma parte do pacote de 700 mil milhões de dólares para “encorajar os investidores privados a regressarem a este problemático mercado”.

“A nossa perspectiva nesta altura é de que esta [compra de activos tóxicos] não é a melhor maneira de usar os fundos dos contribuintes”, disse Paulson, acrescentando que “vão continuar a ser examinadas que outras formas de compra de activos podem ter um papel importante”.

Dos fundos de 350 mil milhões de dólares já aprovados pelo Congresso dos EUA, apenas 60 mil milhões não foram aplicados por Paulson em medidas para ajudar os bancos norte-americanos.

Até agora Paulson tem resistido aos apelos de que este dinheiro seja utilizado para socorrer outros sectores, como o automóvel.

 


As coisas que se dizem





Mais uma vez nao quero entrar em polemicas.
Nao quero dizer que se fez mal "apenas" porque agora está tudo em pantanas.

Mas custa-me a ler certas coisas. Obviamente que há sempre justificacoes para tudo, sempre formas de olhar a mesma coisa de prismas diferentes. Mas nao consigo entender que o responsavel pela a autoridade de supervisao bancaria em Portugal possa ter este discurso. Nao se trata do BPN agora ou do BCP antes, nao se trata de saber se o BPN ja devia ter sido intervencionado, comprado, vendido, partilhado, eu sei lá. E muito menos se se tratou de que o BCP tenha ajudado o filho do seu ex-presidente ou se os auditores, de forma ex-post, la ficaram ou nao.

Trata-se afinal de perceber que raio de supervisao faz e exerce o BdP. Olha as contas em Março do ano seguinte? Verifica se os racios de solvabilidade estao conformes ao legalmente definido? Questiona os membros da administracao de forma civilizada, sem nunca por em causa as suas decisoes, se algo esta menos bem?

Que faz Vitor Constancio? Nao quero nem estou a dizer que fez mal...eu simplesmente nao sei o que faz há mais de uma década. Qual é o seu dia-a-dia...? 

Porque? Porque o que realmente quero dizer é que nao quero ter mais situacoes destas no meu país. COmo accionista fui claramente prejudicado pela falta de actuacao do BdP e agora como contribuinte resta saber se nao o serei também. Ninguem porá em causa que se o BPN nao tem dinheiro, liquidez, o que quisermos para enfrentar as obrigacoes a que esta sujeito que nao possa ser pelo menos razoavel pensar se este cenario de intervencionismo estatal possa ocorrer. O que já toda a gente deverá questionar é...que andou o BdP a falar com o BPN ao longo dos ultimos anos desde 2002, quando a Deloitte deixou de auditar o banco deixando um manancial de reservas às contas que mais parece um cardápio de entradas de qualquer restaurante michelin com 3 estrelas.

"Haverá sempre falhas e fraude...". Com toda a certeza. A questao é se fazemos publicidade disso ou nao. Haverá sempre criminalidade e sempre erros humanos. Mas entao por isso os orgaos de regulacao, supervisao, controle, da ordem publica, do que for nao poderao ter uma actuacao efectiva? For God's sake.

Nao se trata de encontrar um bode expiatorio, nada disso. Mas serao os accionistas, numa base tao dispersa ainda para mais, os culpados desta situacao? Pois alguns com certeza também, mas para isso os demais, que em cima sao pequenos e sem grande poder de decisao e influencia, esperam que alguem os defenda de potenciais atropelos de forma ex-ante, nao ex-post.

O exercicio da supervisao ex-post é similar a fazer previsoes depois de terem ocorrido os factos em análise. Saber que depois de uma derrota o clube tinha probabilidade muito forte de perder é demasiadamente facil e terrivelmente idiota para quem o afirma. Expor-se a esse cúmulo do ridiculo é devastador para quem confia nestes agentes como bastioes de alguma honorabilidade, além de "accountability" (no sentido de obrigar a que prestem contas) que é essencial no sistema financeiro e na economia como um todo.

Quando o BPN oferecia taxas de rentabilidade superiores às oferecidas por todos os outros bancos, pergunto que fez o BdP? Nao se trata de acusar o BPN de nada, absolutamente nada. Se calhar os seus accionistas da altura queriam perder um pouco para tentar ganhar algo...mas insisto, sabemos algo da actuacao do BdP nessa altura? Se por exemplo, uma gasolineira fixar um preco de venda 15 centimos a baixo das estacoes de combustivel dos hipermercados, a autoridade da concorrencia investigará? Ou pelo contrario dirá que se por acaso se vier a provar que essa empresa rompia um conluio existente ou se pelo contrario fazia dumping nao se passava nada de mal, apenas uma falha e que nao se podia ter anticipado a mesma?

Gostava também de exprimir a minha concordancia com algo que foi dito. Em Portugal, mas nao só, o enquadramento penal para o crime financeiro é tao brando que dá gosto perguntar porque nao há ainda mais. Diz Vitor Constancio (VC) que "se deverá pensar na moldura penal que rodeia a actividade financeira e que, por exemplo, algumas questões que hoje são consideradas como contra-ordenações passem a ser consideradas crimes, como a prestação de informações falsas ao supervisor”. Salienta que para isso é necessário que se pense também na protecção de quem denúncia os crimes, tal como acontece nos EUA. Isto, como dizem os ingleses, "goes without saying", ou seja, nao é sequer necessario dizer. É preciso FAZER. Sem medos e sem muita demora por favor.

Mas se há coisas que parecem obvias, outras estao no limbo da aberracao...Afirma VC que nao quer um regime de supervisao do tipo policia. As palavras sao suas. Mas depois admite que poderá vir a ser necessario colocar equipas de supervisao de forma permanente nos grandes bancos...Pregunta: Há algum outro tipo de regime de supervisao "polícia" alem deste? Ou mais que este? Ou com umas caracteristicas de "polícia" mais efectivas que este?

“Temos de analisar a possibilidade de alterar, em especial nos bancos maiores, os termos da supervisão, colocando equipas permanentes dentro das instituições principais. Este modelo existe em poucos países e tem os seus riscos, mas é algo que teremos de reflectir”

Mas os erros grosseiros sao em catadupa...é o bom de se assumir sem assumir nada. VC disse na comissao parlamentar que "em 2007, o tipo de problemas intensificou-se, quando pedimos informação sobre os benefícios de off-shores que tinham crédito, até por causa do que tinha acontecido noutra instituição conhecida” (BCP). E nao se fez nada?? Que actuacoes foram levadas a cabo? a informacao prestada foi suficiente? Segundo VC nao havia forma de saber das operacoes no Banco Insular de Cabo Verde...mas se já havia uma situacao antes que aconselhava prudencia, cautela, olho aberto, se inclusive se pediu informacao...que se passou? Que actuacoes, insisto mais uma vez levou o BdP a cabo em face destes factos (off-shores, informacao insuficiente, exemplos anteriores de ma gestao, etc...)?

“A informação que recebemos era incompleta, chegava aos poucos e com relutância e com muita argumentação”...Pedissem mais, mais vezes, fosse tornada publica a mesma situacao, que se fizesse chegar onde se devia tal assunto. À Assembleia, ao Presidente. Ah, o Presidente nao porque eventualmente seria amigo de pessoas envolvidas? Teria sido o melhor teste à sua integridade como político, que nao só nunca porei nem pus em causa, como admiro e sempre admirei enquanto ainda primeiro-ministro. Seguramente ele nao teria permitido este chavascal. 

Justificar-se nunca é boa opcao de argumentacao se nao há materia de facto que leve a que se possa faze-lo. Demitir-nos das nossas responsabilidades muito menos. Dizer que eventualmente por alguem ter sunegado a outros accionistas e membros do Conselho de Administracao informacao sobre fraudes isso significa e desculpa que o regulador nao tenha podido intervir é no minimo anedótico. De rir mesmo. O regulador nao faz, porque so o eventual criminoso é que sabia o que estava a fazer. Muito bem. Parabéns, assim nunca iremos combater a fraude. Apenas apanhar os "cacos" que a mesma provoca.

“Nada me pesa na consciência em termos de ter cometido qualquer acto ou omissão que tenha contribuído para esta situação do BPN com o desfecho que conhecemos. Por isso colho a sua sugestão de que me demita”, afirmou o governador em resposta às afirmações de Paulo Portas, que disse esta noite que Vítor Constâncio “devia sair”.Questionado pelo deputado do PCP, Honório Novo, se tem condições para continuar afirmou “Sim, acho. Porque tenho consciência daquilo que faço enquanto governador”.

Em Portugal temos de nos habituar ao fenomeno do accountability, a nao ter cargos "ad eternum", a ser responsaveis para connosco em primeiro lugar e depois com os outros que sao os nossos pares ao nivel da cidadania. Ninguem está acima da lei, obviamente, mas sobretudo alem disso ninguem pode estar inquistado num redoma de poder sem querer perceber se já passou o tempo suficiente para que estas coisas nao se passem. As novas geracoes precisam de exemplos. De lideres, de pessoas que com a sua vontade demonstrem que efectivamente sao exemplos a seguir. Este nao é o exemplo que quero que as geracoes que agora estudam o papel que deve ter o BdP, tenham nas suas cabeças.


Quero outro exemplo. Merecemos outros exemplos. 
E nao só no BdP.



(in Negocios.pt)

O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, afirmou que os problemas dos quais se falavam anteriormente relativamente ao BPN “não punham em causa a viabilidade do banco” ao contrário do que aconteceu recentemente e levou à nacionalização do banco. 

Perante a comissão parlamentar de Orçamento e Finanças, Vítor Constâncio admitiu que o BPN “teve sempre os seus problemas”, mas as questões de que se falava “não punham em causa a viabilidade do banco”. 

O responsável adiantou que mais recentemente, os problemas que assolaram o BPN e que ditaram a sua nacionalização eram de liquidez e de solvabilidade. 

“O desfecho que teve o caso do BPN resultou de duas coisas” a primeira da “progressiva falta de liquidez para fazer face aos compromissos, apesar dos apoios especiais que lhe foram dados pelas autoridades” e em segundo houve um “problema de solvabilidade da instituição”. 

Foram estes os “problemas que ditaram o desfecho que não têm nada haver com os problemas que ao longo dos anos foram identificados”, acrescentou Vítor Constâncio.

“A não ser que queiram um supervisor polícia, mas não é esse sistema que temos”, acrescentou. “Haverá sempre fraudes e corrupções e isso não é por haver falhas de supervisão”, salientou.