Wednesday, January 16, 2008

Anatomias de Vida



O que faz de um conjunto de personagens de uma série um factor tao quotidiano das nossas vidas como se passa com séries como “Anatomia de Grey”, “House” ou “C.S.I.”?

Em geral penso que nos queremos rever. Rever em algo que sonhámos ser um dia. Rever em algo que achámos que nao tinhamos estrutura para ser ou simplesmente perceber o que se faz além da percepçao utente-médico num hospital ou vítima-agresor/criminoso-policia nas situaçoes criminais que se passam no nosso dia a dia.

Mas além do obvio entorno genérico y psico-social, é fantastico perceber a dimensao do impacto de historias de vida que sao sobretudo isso o que nos contam estas personagens e suas representaçoes.


O telespectador muda e evolui de formas aparentemente inexplicaveis. Ha uns anos atras as séries de comédia como Seinfeld e outras faziam furor e prendiam audiencias, enquanto as chamadas “soap operas” deixavam um lastro de mofo e pouca adaptabilidade a um mundo em mudança constante. E nao falo so em termos tecnológicos, mas sim das pessoas e dos seus ritmos quotidianos.

Hoje é dificil falar de um sector onde a pressao imposta pela sociedade em geral nao se traduza em um factor ultra acrescido de stress. Advogados, financeiros, medicos, enfim todos vivemos numa roda viva que nao para, que nao cessa e que leva a que nos ocupemos de pensar sobre os caminhos que tomamos nos momentos de choque ou de confrontaçao com ilusoes como sao as series de televisao. Mas ilusoes reais, diga-se. Bem reais. Demasiado reais.

Anatomia de Grey é um caso de sucesso mundial mas é sobretudo uma histroia de historias, uma sumula de tudo o que todos ja ouvimos por conhecidas e conhecidos sobre o que é ser medico, o que implica a dedicaçao profissional de o ser e sobretudo a forma como essa actividade influi nas relacoes pessoais que se estabelecem no local de trabalho. O mesmo se passa no mundo da advocacia, onde series como Ally Macbeal y agora Shark, fazem a mesma tipologia de analise e seguem um caminho relativamente parecido ainda que esta ultima menos voltada para a a analise dos dilemas morais e psiquicos do desenvolvimento das actividades dos protagonistas.

Meredith tem um problema chave para resolver, ainda que tal como todos o adie. McSteamy é um cerebro com duvidas sobre se alguma vez na vida parou para perceber o que de desgaste signifca estar numa relaçao. Nao parou antes e bateu. Bateu no fundo. Foi enganado, supostamente por quem nao o iria enganar. Sente a falta de quem nao tem. Christina é o apogeu da profissional moderna. Enfocada, apaixonada ainda que sem conseguir encontrar um modo de expressar-lo, totalmente emergida no mundo que a fomentou a ser uma pessoa mais, mas uma pessoa das diferentes. O Malley é um paradigma de tantos que se enlacam entre o pessoa e o profissional. Alem disso o plano paralelo da sua assumida tendencia sexual e o impacto que teve no elenco da serie faz dele um personagem alem da serie.McSteamy é outro paradigma do mundo actual: deve um homem bem sucedido e de aparencia acima da media, sofrer de problemas de solidao no seu espaço de convivencia social? Será que é sempre assim que se passa? As vidas entrelaçam-se. Uns ficam, outros vao. Para os que vêem é um momento de reflexao, de divertimento, de beber o que nao queremos nem ter ideia do que é viver uma profissao que nos consome toda a vida, que sem que se veja passam 8 anos e ainda nao se é nada. Mas no dia a seguir fazemos milagres...damos a luz novos seres, lutamos para que outros nao padeçam, vivemos os desgostos do que ainda assim com tudo o que ja desenvolvemos ainda nao conseguimos encontrar (melhor) soluçao para.

Onde quero chegar é que estas personagens nos fazem pensar. Nos fazem viver os dias mais alem do que a simples correria de cá para lá. Pensamos mais no que deve ser a vida no que outros vivem e mais ainda no que fazemos de nos proprios em cada acçao que praticamos.

Penso porque nao poderia eu fazer uma serie das vidas dos que gosto e gostei e do que ja passou e passei, do que passamos juntos e passaremos. Seguramente seria algo com vida, com tudo o que preenche estes espaços ficcionais e alem disso com Paixao que é exactamente o que mais me motiva.

Aos Amigos, Aos mais queridos,