
Nao sei se as escutas às conversas do PM sao meio de prova valido do ponto de vista juridico ou nao. Nem quero saber se há aqui um minimo indicio de corrupcao que o possa (verdadeiramente) parecer afectar, ja que pelos vistos nada afecta os politicos em geral.
O que me interessa sim, é que desta vez, pelo menos desta vez o nosso caro Jose Socrates tenha a dignidade e a humildade de se dirigir ao país e falar. Que o PS peça a cabeça do PM como pediu a do PR pelo caso Fernando Lima. Que Socrates clarifique bem porque diz uma coisa em privado e outra para os Portugueses. Que nao se ponha com justificacoes escabrosamente pouco claras, que nao tenha subterfugios e que diga o que pensa das coisas mesmo à séria.
Ja começa a ser demasiado mau que Socrates tenha primos em todos os lados, que tenha amigos com suspeitas de corrupcao em tanto sitio, que haja quem lhe queira colar o tema do Freeport...ora bolas, algum deste fumo terá fogo. Parece mais que evidente que no Freeport há coisas que nao estao bem contadas. Que no caso da PT-TVI também. Que na Face Oculta ainda mais. Mas nao estarao também nada bem para o lado do senhor Primeiro Ministro.
Que assuma o seu papel. Que assuma a sua responsabilidade. Que seja um exemplo e nao um fantoche do que deve ser um PM.
Que ninguem duvide que estar nestas posicoes, sobretudo em paises de cariz latino, é como expor-se a que todos possam pensar que se pode tentar influenciar de alguma forma. Mas é na resposta a esse desejo de tantos que se marcam as diferenças.
Ficamos à espera do que diga o Engenheiro (do tal diploma que nao se percebeu bem como se poderia ter questionado) Jose Socrates e que nos elucide verdadeira e decisivamente sobre este caso.
Ate ja (Atencao que isto nao tem nada a ver com o slogan da TMN).
In Diario de Noticias, 13 Novembro 2009
José Sócrates disse em Julho, na Assembleia da República, que não tinha conhecimento prévio das negociações entre a Portugal Telecom e a Prisa, para esta vender da Media Capital, dona da TVI. Mas as escutas efectuadas no caso 'Face Oculta', que apanharam conversas entre Sócrates e Armando Vara, provam que o primeiro-ministro (PM) teve conhecimento atempado das negociações e que mentiu aos deputados. Além disso, diz o 'Sol', as várias escutas que envolvem Sócrates podem implicar o PM em actividades que podem ser consideradas tráfico de influência.
Esta informação é avançada hoje pelo 'Sol'. De acordo com este semanário, os telefonemas em que Vara e Sócrates falaram do negócio PT/Media Capital ocorreram em Março e serviram de base à primeira das nove certidões autónomas extraídas do processo 'Face Oculta' e entregues à Procuradoria-Geral da República.
Ainda segundo o 'Sol', que consultou a agenda oficial do procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro reuniu-se com o procurador-distrital de Coimbra e com o procurador do DIAP (Direcção de Investigação e Acção Penal) de Aveiro, titular do processo, a 24 de Junho, tendo a certidão sido remetida a Pinto Monteiro dois dias depois. De notar que o PGR disse esta semana que tomou conhecimento do conteúdo da certidão “numa reunião entre Maio e Junho”.
Foi precisamente no dia da reunião entre PGR e os procuradores de Coimbra e Aveiro que Sócrates abordou a questão no Parlamento. Nesta altura, e tendo em conta o historial de divergências entre o primeiro-ministro e a TVI e o facto de o Estado deter uma “golden-share” na Portugal Telecom e um ser um dos accionistas principais via Caixa Geral de Depósitos, a oposição questionou Sócrates sobre se este teve conhecimento antecipado do negócio.
“Não sei nada disso, porque se trata de negócios privados nos quais o Estado não se mete. Não estou informado sobre o assunto nem o Estado tem conhecimento”, disse aos deputados no dia 24 de Junho, disparando para Paulo Portas, líder do CDS-PP: “Qual é o interesse que o senhor deputado tem na linha editorial da TVI? Está preocupado com alguma coisa? Como eu o percebo: como a linha editorial é contra o Governo, não tirem de lá ninguém, porque assim é que está bem.” Depois, aos jornalistas, lembrou que a PT tem “total autonomia” e que as questões sobre o negócio com a Prisa deveriam ser colocadas à telefónica: “O Governo nada sabe e não deu qualquer orientação, nem lhe foi perguntado nada”.
Ainda de acordo com o 'Sol', nesse dia já a Prisa tinha acordado a saída do director-geral da estação, José Eduardo Moniz, marido de Manuela Moura Guedes, apresentadora do bloco noticioso mais incómodo para o Governo, o Jornal Nacional de Sexta. Contudo, após as dúvidas levantadas publicamente pelo Presidente da República sobre os meandros do negócio, este acabou por cair.
O 'Sol' refere ainda o conteúdo de outras escutas que podem enquandrar o PM em actividades que podem ser consideradas tráfico de influências. Um dos casos são conversas sobre alegadas manobras para encontrar financiamento para a campanha eleitoral do Partido Socialista, nomeadamente um pedido de ajuda por parte de Sócrates para pagar despesas de cartazes e panfletos no valor de 5,5 milhões de euros.
Outra das situações referidas nas certidões são conversas para ajudar a salvar de uma situação financeira complicada a Controlinveste (proprietária do DN, JN, TSF, 24 Horas) e a Sportinveste (O Jogo e Sport TV).