Em nenhum outro pais como Espanha haverá na Europa mais Sol e calor (humano sobretudo). Pois num entorno como este seria de esperar que existissem muitos, inumeros duelos num registo parecido ao que vimos nos ja ultrapassados filmes de cowboys dos anos 60 de Hollywood entre todo o tipo de personalidades, desde o futebol à política.

Acontece porém que neste país de 40 milhoes de habitantes, que tanto se quer fazer crer que a sua suposta carencia de identidade nacional nao tem outro impacto a nivel interno que nao a fracticida batalha por poder regional (agora quem sabe nacional) das diversas regioes, acaba por perceber que além da falta de letra do hino espanhol também pela total e inexplicavel falta de debate cara-a-cara se acaba por verificar que Espanha nao é mais que um aglomerado de inidividuos a quem alguem um dia resolveu unir em torno de uma insituicao nacional que se foi alargando após a reconquista crista.
Dito assim parece uma agressao, ao povo espanho em primeiro lugar, e logo depois a cultura deste país como um todo. Contudo sao justamente os Espanhois os primeiros a criticarem o que acham que nao tem de qualquer forma: identidade nacional.
Pois haveria que indagar 2 coisas, do meu ponto de vista de estrageiro expatriado: Primeiro, poderemos nos portugueses estar em algum momento no mesmo estado da naçao? Segundo havera remedio para esta “España”?
O primeiro ponto parece mais obvio do que realmente é. Tal como aqui, num plano muito mais problematico por razoes historicas, a recente onda de independentismos mais ou menos internacionalmente reconhecidos acaba por gerar uma crença num certo inevitavel divisionismo que ninguem se quer sequer atrever a dizer onde parará. O Kosovo, pode ser o mais recente país auto-proclamado do mundo, pode ser até que nao o venha a ser nunca ou que tarde a ser reconhecido mais tempo que a Catalunha, mas é sem duvida uma enorme pedrada num charco que desde 1993 com a crise dos balcas se veio a agudizar a cada dia.
Ora 800 e muitos anos de historia de fronteiras estaveis (desconto aqui o episodio de Olivença do qual so nós por vezes em sonhos nos recordamos) parecem indiciar que nada de tal tipo acontecerá em terras lusas. A pergunta a fazer é de outra indole. Porque nao? Ou seja, nao pode acontecer que num momento em que a agua comece a faltar no Algarve dos resorts de luxo daqui a 25/30 anos que os algarvios ponham em marcha o processo revolucionario parado desde as primeiras semanas do PREC? Teoricamente parece-me dificil, nao pelo apego a nenhum ideario, se nao pelo facto culturalmente relevante em Portugal que somos em geral “comodistas”. Nao temos realmente as “ganas”, a vontade de fazer “sangue· so para ganharmos uns m2 de area e reclama-la como independente do resto a que nos habituamos geracionalmente a chamar Portugal.
Alem disso do ponto de vista religioso (factor chave alem do economico), o nosso país é ou parece ser um anti-“melting pot”. Nao se trata da falta de liberdade religiosa, que nao discuto ou acho que mereça ser o centro desta discussao, se nao que simplesmente também aqui há imperado o comodismo geracional.
O segundo ponto é um pouco mais polémico. Alem de estar a falar do que nao me pertence, é dificil perceber como este povo consegue seguir em frente dizendo que na realidade nao há espanha como tal se nao um conjunto de semi-naçoes autonomas e pensar que nada va mudar. Ha muitos que dizem profeticamente que daqui a 20 anos ja nao existira Espanha enquanto tal. Talvez.
O que parece é que hoje há sem duvida um momento historico para a democracia espanhola. Pela segunda vez (repito apenas segunda) numa democracia com mais de 30 anos, vai-se realizar um debate entre os 2 candidatos mais destacados a primeiro ministro. Incrivelmente so aconteceu uma vez, em 1993, na ultima vez que Felipe Gonzalez ganhou eleicoes (unica derrota de Aznar).
Hoje estarao Zapatero e Rajoy a fazer historia. Talvez daqui a uns anos todos os espanhóis façam otra “estória” e a realidade do povo mais toureiro da Europa e do Mundo seja outra bem diferente.
-- / --
No outro lado do Atlantico o duelo é outro. Ja muito se disse e se dirá ao longo do ano acerca do que representa que o proximo presidente dos EUA possa ser uma mulher ou um cidadao “afro-americano” como dizem por lá. Depois de durante alguns bons largos meses haver pensado que Hillary seria a escolha efectiva dos democratas americanos, hoje acho que Barrack vai acabar por ser catapultado para a corrida presidencial, com tudo o que isso implica.

A verdade é que as minorias estarao na linha da frente do combate.
Obama é um tipo muito inteligente na dinamica de massas. Ja o demonstrou nao so com a sua eloquente oratoria mas também com resultados (o mais importante dos factores). Resta saber se tera o mesmo impacto frente a um republicano que simplesmente...nao é.
McCain é um “excomungado” que encontrou um momento de sorte na vida. Alem dos 60 e muitos anos ja muitas vezes falados, a verdade é que nao tem uma posicao verdadeiramente conservadora e isso num pais como os EUA faz a diferença.
Esperemos pois pelos proximos capitulos desta “guerra” que tera muitissimo impacto nos anos que virao no futuro proximo.
P.S.: Quero dedicar muitos meses passados uma sentida homenagem a alguem que aprendi a admirar ao longo da minha vida profissional e que nos deixou ha algum tempo já. Nao escrevi ainda nada sobre ele apenas porque me custava faze-lo, e ainda custa. Nao sou um ou nao era um dos que mais privou com, mas pelo tempo que conheci sem duvida tenho as melhores recordacoes da pessoa que era. Ao Carlos, um obrigado pelo patrimonio que nos deixou, e que todos os que nao tiveram a oportunidade de privar com ele que saibam apreciar o bom que vida nos da em cada dia que passa. Um abraço, estejad onde estiveres.