Thursday, November 20, 2008

Um feliz Natal...ou talvez nao.

Arvore de Natal no Rockfeller Center...um ano dificil o de 2008

Ja comecou há muito a correria desenfreada para o apogeu da época natalicia. 

Obviamente nao há ainda os sinais mais evidentes do panico-de-ultima-hora-do-dia-24 mas além dos comerciantes que já se lançaram na captacao dos "early-clients", existe uma preocupacao normal para esta época do ano com o negócio e com o volume a registar nas proximas semanas. Faltam aproximadamente 4 ou 5 semanas para o dia em que nos sentamos em familia a ver o filme de natal em nossas casas. Mas este ano a loucura desenfreada, o consumismo exarcebado, os brinquedos, os gadgets, os electrodomesticos, os perfumes terao uma maior dificuldade em chegar a nossas casas pelo menos nos índices de penetracao que foram habituais nos ultimos tempos.

É uma má noticia? Bom por mim nao se estivermos a falar de retrair o desenfreado gasto que normalmente muita gente realiza nesta epoca do ano. Obviamente que má noticia pela parte de que tal realidade ajustada se fica a dever à recessao que atinge a economia mundial. Mas em si mesmo este fenomeno tem uma caracteristica mais importante: revela um potencial de deflacao que pode supor uma epoca conturbada para as economias em geral.

No Reino Unido, segundo dados da Capital Economics, as vendas de retalho caíram 0,1% em Outubro, ao mesmo tempo que as vendas de produtos nao alimentares registavam uma queda acentuada de 1,1%. Este cenario indica que os agentes estao a ajustar drasticamente a sua funcao consumo. Refere a CE que as vendas de vestuario foram reduzidas em mais de 3% em um mes. Consequentemente os retalhistas e comerciantes estao a reagir com cortes em preço que acabam por nao funcionar como normal, mais ainda porque este ajuste de comportamento gastador dos consumidores é sobretudo de gestao de expectativas de cara ao proximo ano.

Por outro lado nos EUA os preços registaram uma queda abrupta em Outubro, com um decrescimo face ao mes anterior de 1%. Os analistas apontam que a inflacao, que ainda em Junho Julho Agosto estava bem acima dos 5%, acabara o ano abaixo de 2% e para 2009 entrará em terreno negativo. 

Para este desiderato nao nos podemos esquecer que só a materia-prima petroleo passou de custar 140 USD em Julho a rondar os 50 USD nos dias que correm (há quem arrisque que chegara aos 30, mas acho que isso Chavez nao permitira mesmo...ja nao falo do intervalo 80-90). Por outro lado todas as outras commodities estao em desacelaracao de custo acentuada.

Ora em geral este tipo de noticias sao boas noticias. Mas nao no contexto actual, onde a emagadora maioria dos sectores nas economias estao sem folego, parados, a retrair-se ou com muitissimas dificuldades em sobreviver. O desemprego é uma bola de neve que neste momento nao tem muito controle, ainda que nos proximos meses com o estancar de algumas hemorragias possa vir a estabilizar ainda que em niveis que deixam o pleno emprego longe, mais longe que a proxima galaxia em termos fisico-espaciais.

Hoje em dia o Natal de 2007 parece uma miragem. E o de 2006 uma autentica utopia. Nao porque os presentes sejam menos ou mais ajustados à realidade vivida (isso talvez de alguma forma acabe por ser assim para a maioria em 2008), mas porque tal como insisto desde há algum tempo precisamos de lideranca. Nada melhor que uma epoca onde se presume uma lideranca espiritual para requerer que os nossos representantes eleitos e a eleger tenham a consciencia do dever publico para com as populacoes que servem, repito, que servem (ou pelo menos deviam servir).

Boas compras...dentro do que cabe.

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