Thursday, October 29, 2009

Cara e Coroa

Parece mentira mas muitas vezes noticias diametralmente opostas podem fazer todo o sentido.
É o caso da noticia do Negocios.pt de hoje (http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=393501) que da conta do corte no outlook da Moody's para Portugal e da que faz referencia em diversos jornais e sitios na internet do crescimento em Portugal estar sustentado na maior confianca a nivel economico (http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1404683).

Vamos por partes: a integridade das agencias de rating vale hoje em dia, num mundo pós-crise, o que vale e pouco mais. O facto de que alguns paises bastante endividados tenham um rating AAA é absolutamente a maior prova disso. Mas assumindo que as agencias ate tem um papel importante e as suas actividades, ainda que alvo de lobbying, sao importantes e decisivas até no andamento economico das economias, é muito triste ler o que escreve a Moody's: “Apesar da crise global ter passado ao lado de Portugal”, o que permitiu ao país apresentar, este ano, um desempenho em linha, e até acima, dos pares, a “Moody’s receia que o ténue crescimento pós-crise venha a traduzir-se numa adversa dinâmica da dívida de Portugal”. Para Anthony Thomas, vice-presidente da divisão de dívida soberana da Moody’s, o “problema parece estar no facto de não haver motivação para agir por parte do governo”, lê-se no comunicado emitido hoje, citado pela Bloomberg. A Moody’s afirma que o mais provável é que Portugal enfrente um “lenta mas inexorável declínio, onde o crescimento permanecerá moroso”. Este é reconhecido como o maior receio da agência, sendo que a Moody’s atribui a culpa para o desempenho económico aos sucessivos governos que não tomaram medidas para aumentar a competitividade. Se a falta de competitividade se mantiver “o ritmo de crescimento da economia manter-se-á lento, e como tal limitará a habilidade do governo em doltar-se dos problemas com a dívida, mesmo num período de recuperação pós-crise”.

Esta é uma verdade que ainda que dependa de analises um pouco menos independentes do que deveriam ser, nao deixa de ser a descricao cruel do que se acabou por tornar o nosso pais: uma economia que muitas mais vezes se encontra ao servico dos interesses politico partidarios que o contrario e com isso quem se ve prejudicado é o pais, a economia e os cidadaos, os portugueses em geral.

Por outro lado todos somos unanimes em afirmar que como a nossa economia nao se viu impulsionada por fenomenos um pouco paranormais como por exemplo a revolucao do tijolo em Espanha ou na Irlanda, a verdade é que sofreu muito menos o impacto de uma crise que estes mesmos paises. Alias recordo um artigo da Sra. Economista Chefe que antevia um impacto enorme na economia portuguesa destes factores, que afinal se reduziu ao normal entorpecimento de relacoes internacionais natural em qualquer entorno de dificuldades.

Talvez por isso nao espante a questao do indicador de confianca na actividade economica que acaba de ser divulgado. Quem nao comete tantas loucuras acaba sempre por ser mais beneficiado nestes momentos de maior incerteza. Mas o que ai vem é mais crecimento - os EUA acabam de registar um crecimento de 3,5% - e por isso a preocupacao é saber se realmente a Moody's no Medio Longo prazo nao tem toda a razao. A curto prazo ja sabemos que nos podemos rir dos nossos amigos espanhois, mas a verdade é que já "hermanos" que começam a sentir a necessidade e sobretudo a oportunidade para viver novos momentos de loucura ainda que agora totalmente sem justificacao - basta sentir que o mundo se encarrila de novo para sair da recessao e o optimismo advem de forma espontanea, assim como o consumo mais desmesurado.

Com isto nao advogo para nada que se cometa este tipo de loucuras em nome de um optimismo totalmente efemero e prejudicial ao conjunto dos Portugueses. Mas nao estava mesmo nada mal pensado e mlehor feito que os politicos e dirigentes em Portugal se habituassem à ideia de que a vida de um pais é mais que 4 anos (ou 2 ou 1 e meio nestes momentos) que as pessoas esperam construir uma vida a longo prazo com melhores condicoes de vida e que sobretudo onde esta a fonte do crescimento - e ai sem duvida alguma razao para a moody's - é na criacao de oportunidades. Temos de ser competitivos e talvez uma boa ideia para comecar, que ultimamente o PR tem vincado com muita sabedoria e bom senso, é garantir que nao se deixa fuigir para um outro mercado quem tem vontade em ajudar, trabalhar e lutar para que tal cenario seja uma realidade.

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