Monday, October 27, 2008

Paul Samuelson esta errado, segundo Economista Chefe

O ultimo artigo da Economista chefe (http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=337588) tenta fazer luz sobre as origens da crise que vivemos. Quase como se tentasse criar um entorno de artigo de crivo geracional, a la Samuelson, aprofunda varios factores que segundo o seu entendimento sao os drivers de crescimento da economia nos ultimos anos.

 

Por momentos acho, ao ler o artigo, que estou perante o discurso do actual Ministro da Economia. A crise chegou e arrumou com o progresso dos ultimos 15 anos. Acabou este modelo. Incrivelmente 2 anos antes o mesmo teria dito que Portugal ia conseguir, com este actual governo e as suas politicas, sair da crise em que estava...nota-se aqui alguma incoerencia que muito pouca gente tentou explorar, mais além dos Gato Fedorento – os meus parabéns aos referidos comediantes.

 

Mas este artigo é mais ambicioso que os discursos do nosso ministro...(Felizmente).

Fala em justificacoes de uma facto como os drivers de crecimento da economia. Facto: caíram muito os preços das materias-primas e bens transaccionaveis. Porque: Porque as taxas de juro eram baixas...(ok...ja la vamos no fact check #1 chamemos-lhe assim)...porque os paises do sudeste asiatico entraram nos mercados a nivel mundial...(bem, bem visto...fact check #2) e finalmente porque os bens nao transaccionaveis baixaram muito de preço também (fact check #3).

 

Bom so esta parte do artigo é bastante interessante. O leitor percebe que o que levou as economias a crescer foi o facto de os bens e servicos que se podem trocar a nivel internacional terem ficado baratos. Bom...em si mesmo ajuda e muito mas nao é isso que faz crescer as economias. Aliás se pensarmos bem na questao se o preco baixou assim tanto alguma razao teve de existir para que tal acontecesse...diminuicao da procura nao foi porque as economias cresciam, por isso...bem talvez aumento da oferta. Boa! Tomemos um exemplo. Ate há cerca de 1 ano e meio, 2 anos vá, os precos das “commodities” tinham caido ou estabilizado a niveis que o nosso camarada e amigo Hugo Chavez pode razoavelmente apelidar de “estaveis” – por exemplo no petroleo agora para ele isso correspondería ao intervalos dos 70-80, 80-90 USD, na altura era bem abaixo dos 70 USD/barril, mas havia muitos outros exemplo em muitas outras materias-primas. Por outro lado a China há 4 anos ainda nao estava a em ritmo 200% para as olimpiadas de Pequim. Tudo era barato segundo a nossa Economista Chefe. Logo barato (sem perceber que havia muito quem oferecesse o produto) significou menores custos para as economias e logo maior crescimento. Nao! Apenas quis dizer que havia possibilidades de crescer aproveitando um entorno facilitista. Que em boa verdade é o que a Economista chefe tenta dizer, mas quanto a mim sem sucesso.

 

O perigo de fazer estas analises tentando jogar o papel de Deus na Economia é que...corremos o serio risco de nao estarmos correctos. Entao quer dizer que os bens transaccionaveis eram mais baratos porque...os nao transaccionaveis também. Recordemos as definicoes.

Os bens não-transaccionáveis são um tipo de bens que, ao contrário dos bens transaccionáveis, não são susceptíveis de transacção nos mercados internacionais devido, nomeadamente, ao facto de os custos de transporte serem proibitivos face ao valor intrínseco do bem ou ao facto de estarem intimamente relacionados com a sua localização num determinados espaço geográfico sendo, por isso, apenas transaccionáveis no mercado interno. São principais exemplos de bens não transaccionáveis a maior parte dos serviços prestados a particulares, o fornecimento de bens públicos tais como o saneamento, a iluminação pública ou o fornecimento domiciliário de água, e ainda todos os bens de valor intrínseco baixo face aos seus custos de transporte.

Exemplo de um bem nao transaccionavel classico, um corte de cabelo. Portanto, como os cortes de cabelo eram muito mais baratos, os cereais também. Faz sentido.

 

Mas nao acaba aqui. Os precos dos bens transaccionaveis também eram mais baixos porque os juros eram baixos. E depois fala-se na bolha imobiliaria. Bom...acho que é chegado o momento de nao tentar confundir mais o leitor.

 

Vejamos um exemplo concreto: Um cidadao tinha mais dinheiro porque pagava menos de renda ao banco, entao supoe-se que tinha mais rendimento disponivel. Tendo mais rendimento disponivel, supoe-se que tera consumido mais, logo pressionado no sentido de ... subir baixar os preços....Tcharan!!!!

 

Bolas nao entendo como os preços das casas aumentaram tanto...havia com toda a certeza muito pouca gente a querer comprar casa.

 

Nao vou entrar por agora no resto do artigo, porque daria mais uma vez para escrever um livro. Mas preferiria que os jornais e meios de comunicacao em geral no país em que nasci fossem mais democraticos quando se trata de escolherem pessoas para emitir juizos de valor deste calibre.

 

Acho que no minimo ha cursos de Economia basica (introducao às micro e às macro) que explicam 100 vezes melhor o que esta Economista Chefe mais uma vez tentou explicar e sem entrar em graves atropelos de discurso.

 

Um leitor afirmava num comentario: bem entao se a crise é funcao dos precos altos e da bolha, entao como os precos ja estao baixos outra vez...Ministro parte 2. Depois admiram-se que os Portugueses sejam sempre os ultimos a sofrer as crises. Ninguem percebe quando Portugal esta ou nao em crise...ou estara sempre?

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