

Ouvida na semana passada, por duas vezes, Ana Salgado disse que o presidente portista lhe pagou 5.000 euros por mês, durante um tempo largo, para manter nos diversos processos uma posição contrária à assumida pela sua irmã. Ana Salgado - que foi chamada no julgamento que está a decorrer na qualidade de testemunha de defesa do líder portista mas que acabou por ser dispensada por esta logo na 1.ª sessão - contou que teve um primeiro encontro com Pinto da Costa e que logo aí lhe foram entregues 500 euros.
Ana Salgado alega agora que Pinto da Costa e alguns advogados a que recorreu aproveitaram a sua fragilidade emocional e financeira para a conseguir colocar contra a irmã. Ana Salgado disse também que a defesa de Pinto da Costa lhe pediu para dizer, neste julgamento, que a sua irmã estava acamada no momento da visita do árbitro Augusto Duarte, o que diz ser mentira. in Record
O que acho verdaeiramente maravilhoso no mundo do futebol é que a promiscuidade abunda, as relacoes com o já de si “desbordado” e “caçiquento” poder local proliferam como bacterias em ambiente descontrolado e virulento e que, para rematar, a justiça quando finalmente chega a questionar – para bem de todo o credito que quer ter junto dos cidadaos – todos estes meandros sujos e podres acaba por fazer mais do mesmo: ignorar.
Entao a juiza de um processo, onde estao envolvidas 2 partes contrarias aqui mencionadas, ambas de forma directa (perdoem-me mas continuo a nao utilizar o portugues do novo acordo ortografico) opta por nao fazer constar esta informacao do processo nem a chamada por parte do MP desta senhora Ana Salgado? Porque? Porque nao foi levantado qualquer incidente com esta pessoa no processo. Entao por essa linha de pensamento muitas testemunhas arroladas estao a fazer um papel totalmente de fantoche (veja-se o caso do antigo namorado de Carolina Salgado) que, esse sim, com toda a certeza dirá respeito a muitos incidentes nao referenciados a este caso, mas que servem bem para desviar atencoes (bem ou mal) para temas que nao estao sobre a mesa.
Mais, esta senhora deu em tempos idos longas entrevistas na televisao, imediatamente após a publicacao do livro que estara na base do inicio da investigacao pelo MP, dizendo ser tudo uma mentira o que a sua irma dizia e que renegava familiarmente ligacoes com a mesma, com direito a audiencia de prime-time.
Obviamente que o facto de um dos arguidos – PdC – ter financiado este “filme” quasi-reality-show nao tem nada a ver com o caso. Claro que nao tem. Aliás como poderia ter a ver com alguma coisa? Acho que se tem a ver é com a derrota do Sporting ontem no Arena por 7-1. Foram os 5000 Euros de PdC que fizeram com que o Rui Patricio e o Polga dessem um banho de bola ao...sporting.
Nao chega já de fazer dos portugueses estupidos? Nao chega já de fazer dos tribunais e dos processos meros momentos de instrumentalizacao e teatralizacao dos tempos, para que o povo pense que a justica nos vale de algo? Nao chega de ver que no nosso país tudo se pode fazer menos pagar impostos pelos que ganham a sua vida a pulso, trabalhando horas a fio – e nao nao falo de coisas de sindicatos e afins, falo de quem nao tem ninguem para falar ao fim de muitas horas de auditoria numa semana em que se dormiu 3 horas por noite para auditar bancos que criam off-shores que nao servem para outra coisa que nao limpar creditos concedidos a filhos dos CEO’s enquanto se brinca com o dinheiro dos minoritarios. Nao chega já de fingir que em Portugal nunca ninguem será condenado por nada de absurdamente obvio que se tenha passado?
Quanto tempo nos falta para que nos corredores do poder as pessoas tenham medo de fazer mal as coisas e optem por defender quem os elege? Quanto mais teremos de esperar para que um juiz nao se esconde sobre o manto de interpretacao literal dos quesitos pronunciados num processo para ignorar o que de obvio se passa à sua volta?
Gostava de um dia imaginar que no meu país, no país onde os que amo sempre defenderam a liberdade, a mesma, essa Liberdade, nao fosse uma reminiscencia perdida de um desejo que nasceu cravo e rapidamente se tornou rosa, rosa hoje mais murcha, outrora de outra cor (mais alaranjada) e que nos deixa antever que o que podemos esperar do dia de amanha é tao simplesmente nada mais que...mais do mesmo, ou como dizem os franceses no seu distinto culto linguistico-teatral “c’est bonnet blanc et blanc bonnet”. Mais do mesmo...sempre.
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