
Ao longo da nossa vida passam muitas pessoas, algunas delas com um impacto muitissimo grande no nosso percurso e crescimento enquanto seres humanos que somos. Tal verifica-se a varios niveis, emocional, profissional, pessoal, de paixoes e hobbies, de fés.
Quem me conhece bem sabe que tenho uma fé sobrehumana num determinado clube desportivo. Nao importa qualificar. Nao é esse o ponto hoje.
O que importa neste momento é falar de uma dessas pessoas, um alguem que para mim transformou um prazer, um gosto, num modo de estar e viver a vida de forma partilhada com um conjunto de outras pessoas que aliás tiveram um papel fundamental em muitos outros aspectos da minha vida além deste.
Comecei a ir ao futebol com cerca de 5 anos. Levou-me o meu grande Amigo Saude. O primeiro dia que vamos à bola é um dia que por muito pequenos que sejamos nunca esquecemos. A entrada do estadio (que ja era imponente na altura, falamos de 1983-84, por aí) nao era como hoje, havia uns bocados de terra onde se instalavam as barracas com os artefactos de devocao, mesmo ao lado do campo de treino que ficava á direita, quando se subia a entrada, do estádio.
Comprou-me um equipamento sem marcas, do que à altura era a verdadeira e genuina indumentária do clube. Uma bandeira pouco maior que a minha cintura de entao e ai fomos. Ganhamos ao Belenenses 3-2. Vim contente, como viria tantas vezes mais em seguida. Com o Saude, e com o Luis, partilhei muitos anos de paixao na bancada central dos cativos oposta à bancada presidencial. Foram muitos campeonatos – sim na altura ainda ganhavamos muitas vezes de seguida e sem Calabote – muitas tacas, muitos jogos europeus, a fé no seu mais estranho fenomeno de absorcao da irracionalidade humana. Tive cativo até aos 18 anos, altura em que para me dedicar à faculdade e por forca de uma desmotivacao reinante no meu espirito, como em muitos outros, pela instabilidade de rumo desportivo e nao só, deixei de ir aos jogos. Foram alguns bons anos de ausencia, de aplicacao de conhecer muitas outras coisas, de momentos dificeis (um deles bem dificil) e de coisas boas também. Mas o clube nao ia bem.
Anos mais tarde, fruto de uma relacao pessoal muito intensa que coincidia com uma paixao clubistica ainda maior e devidamente partilhada, arranquei a minha namorada da altura e o meu Pai para um ano de cativo no novo estadio – realidade pos-Euro.
Foi um ano maravilhoso. Algo que nao vou esquecer. Puder estar na companhia destas duas pessoas, em particular do meu Pai, que durante tanto e tanto tempo nao compreendia a nossa dedicacao ao clube, à causa irracional, à fé, foi assombroso. Ganhámos. Celebrámos, vivemos intensamente. Por esta altura o Saude ja nao ia à bola e o Sr. Helder muito menos, este por motivos que tinham a ver tambem com a sua ja avancada idade.
Da forma como o meu Pai vive este nosso amor partilhado falarei noutro post.
O tempo antigo, dos campeonatos seguidos é o tempo da carrina Peugeot do Rui, o filho do Sr. Helder. O Saude apanhava-me na casa dos meus pais ao domingo de manha – como era bom ter jogos às quatro da tarde – comiamos um bife em casa deles (dos Saude) e o Rui passava à porta para nos dirigirmos à Segunda Circular. Muitos pequenos peisodios existem, mas há um que todos sabem que recordamos com particular alegria, ternura, enfim devocao, ainda que pareca um pouco caricato.
Um ano, rumámos a Setúbal. Era normal por vezes irmos fora de portas a ver o nosso clube jogar. Nesse ano a coisa – como era tradicao em Setubal – complicou-se e era um jogo quase decisivo para a atribuicao do campeonato. Se nao ganhassemos seria um passo atras que nos custaria bastante. Estavamos empatados, já na segunda parte e nós vimos o jogo do que na altura se chamava o “peao”, a zona do estadio mais baixa e por detras de uma das balizas.
A meio da segunda parte há uma falta na grande área do Setubal. A loucura total, o arbitro assinala grande penalidade e o Carlos Manuel agarra a bola para tentar a conversao do castigo maximo. A tensao acumulou-se e todos de pé paramos de gritar por momentos para seguir o lance capital. Golo, a loucura a redobrar, e ai quase que com os meus 6-7 anos me “desmaiava” de emocao. É nessa altura que o Sr. Helder “entra em accao” e me dá uma bofetada (sem maldade na cara) que funcionou como uma luva para que eu ficasse de novo atento ao jogo. Parece algo que se recorda com pouco interesse, mas a verdade é que é um episodio que a todos nos faz sorrir e sei que a ele também fazia muito.
Agora que nao está mais entre nós fisicamente, Sr. Helder, gostava que soubesse que continuara connosco a sua memoria viva, o seu legado de grande dedicacao a esta paixao que comungamos. E a saudade...eterna. Tal como eterno é este nosso Amor pelo Clube do nosso coracao. Até já.
Quem me conhece bem sabe que tenho uma fé sobrehumana num determinado clube desportivo. Nao importa qualificar. Nao é esse o ponto hoje.
O que importa neste momento é falar de uma dessas pessoas, um alguem que para mim transformou um prazer, um gosto, num modo de estar e viver a vida de forma partilhada com um conjunto de outras pessoas que aliás tiveram um papel fundamental em muitos outros aspectos da minha vida além deste.
Comecei a ir ao futebol com cerca de 5 anos. Levou-me o meu grande Amigo Saude. O primeiro dia que vamos à bola é um dia que por muito pequenos que sejamos nunca esquecemos. A entrada do estadio (que ja era imponente na altura, falamos de 1983-84, por aí) nao era como hoje, havia uns bocados de terra onde se instalavam as barracas com os artefactos de devocao, mesmo ao lado do campo de treino que ficava á direita, quando se subia a entrada, do estádio.
Comprou-me um equipamento sem marcas, do que à altura era a verdadeira e genuina indumentária do clube. Uma bandeira pouco maior que a minha cintura de entao e ai fomos. Ganhamos ao Belenenses 3-2. Vim contente, como viria tantas vezes mais em seguida. Com o Saude, e com o Luis, partilhei muitos anos de paixao na bancada central dos cativos oposta à bancada presidencial. Foram muitos campeonatos – sim na altura ainda ganhavamos muitas vezes de seguida e sem Calabote – muitas tacas, muitos jogos europeus, a fé no seu mais estranho fenomeno de absorcao da irracionalidade humana. Tive cativo até aos 18 anos, altura em que para me dedicar à faculdade e por forca de uma desmotivacao reinante no meu espirito, como em muitos outros, pela instabilidade de rumo desportivo e nao só, deixei de ir aos jogos. Foram alguns bons anos de ausencia, de aplicacao de conhecer muitas outras coisas, de momentos dificeis (um deles bem dificil) e de coisas boas também. Mas o clube nao ia bem.
Anos mais tarde, fruto de uma relacao pessoal muito intensa que coincidia com uma paixao clubistica ainda maior e devidamente partilhada, arranquei a minha namorada da altura e o meu Pai para um ano de cativo no novo estadio – realidade pos-Euro.
Foi um ano maravilhoso. Algo que nao vou esquecer. Puder estar na companhia destas duas pessoas, em particular do meu Pai, que durante tanto e tanto tempo nao compreendia a nossa dedicacao ao clube, à causa irracional, à fé, foi assombroso. Ganhámos. Celebrámos, vivemos intensamente. Por esta altura o Saude ja nao ia à bola e o Sr. Helder muito menos, este por motivos que tinham a ver tambem com a sua ja avancada idade.
Da forma como o meu Pai vive este nosso amor partilhado falarei noutro post.
O tempo antigo, dos campeonatos seguidos é o tempo da carrina Peugeot do Rui, o filho do Sr. Helder. O Saude apanhava-me na casa dos meus pais ao domingo de manha – como era bom ter jogos às quatro da tarde – comiamos um bife em casa deles (dos Saude) e o Rui passava à porta para nos dirigirmos à Segunda Circular. Muitos pequenos peisodios existem, mas há um que todos sabem que recordamos com particular alegria, ternura, enfim devocao, ainda que pareca um pouco caricato.
Um ano, rumámos a Setúbal. Era normal por vezes irmos fora de portas a ver o nosso clube jogar. Nesse ano a coisa – como era tradicao em Setubal – complicou-se e era um jogo quase decisivo para a atribuicao do campeonato. Se nao ganhassemos seria um passo atras que nos custaria bastante. Estavamos empatados, já na segunda parte e nós vimos o jogo do que na altura se chamava o “peao”, a zona do estadio mais baixa e por detras de uma das balizas.
A meio da segunda parte há uma falta na grande área do Setubal. A loucura total, o arbitro assinala grande penalidade e o Carlos Manuel agarra a bola para tentar a conversao do castigo maximo. A tensao acumulou-se e todos de pé paramos de gritar por momentos para seguir o lance capital. Golo, a loucura a redobrar, e ai quase que com os meus 6-7 anos me “desmaiava” de emocao. É nessa altura que o Sr. Helder “entra em accao” e me dá uma bofetada (sem maldade na cara) que funcionou como uma luva para que eu ficasse de novo atento ao jogo. Parece algo que se recorda com pouco interesse, mas a verdade é que é um episodio que a todos nos faz sorrir e sei que a ele também fazia muito.
Agora que nao está mais entre nós fisicamente, Sr. Helder, gostava que soubesse que continuara connosco a sua memoria viva, o seu legado de grande dedicacao a esta paixao que comungamos. E a saudade...eterna. Tal como eterno é este nosso Amor pelo Clube do nosso coracao. Até já.
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