Tuesday, September 30, 2008

Medo 1 - Bailout 0

O que nao se esperava aconteceu. A "House of Representatives", o equiparavel aos parlamentos europeus em geral, nao passou a proposta apresentada por um grupo de senadores e representantes de ambos os partidos, com um voto final de 228 contra e 205 a favor. 

Algo um pouco inesperado dada a força que envolveu juntar tantos representantes e senadores à mesma mesa para negociar mais de 100 paginas de lei. Contudo, como digamos é compreensivel, os legisladores estao com emdo de passar aquele que é o maior instrumento de accao legislativa do Estado na economia Americana desde a Grande Depressao.

O efeito imediato foi a queda abrupta das bolsas: nos EUA o Dow Jones registou a maior queda em pontos de inidice de sempre, caindo mais de 7%, ainda que nao bata em termos relativos as quedas de 1987. Na Europa as manhas estao muito negativas depois de ontem as perdas ja terem sido enormes.

A recessao está (quase) instalada nem que seja porque nao se parece encontrar uma alternativa de politica economica viavel. Por cá, começa a ficar claro que nem so da inveja e corrupcao dos grandes egos na banca de investimento americana viviam os bancos e os governos começam a ter que viver por si e per se, i.e., sem terem que esperar pelo Tio Sam resolver os seus problemas e consecuentemente os do Mundo. 

Economista-chefe, que se passa agora? Leia o artigo abaixo e depois diga-nos. Aguardo com expectativa o seu comentario.

Crise financeira mundial 2008-09-30 00:05

Onda de falências chega ao sector da banca na Europa

 

Governos não hesitam e salvam bancos às portas da falência. Problemas continuam a superar soluções.

 

Pedro Latoeiro com Luís Rego

 

Nacionalizar para sobreviver. A onda de falências que invadiu Wall Street  durante a semana passada chegou ontem com estrondo à Europa. Resultado? Quatro bancos nacionalizados em 24 horas, o maior deslize das bolsas mundiais desde 1997 e uma nova intervenção extraordinária dos banqueiros centrais, tudo sinais de que não há luz ao fundo do túnel e de que os problemas no sector financeiro continuam a superar as soluções.

 

Depois da nacionalização do grupo Fortis, no domingo, pelas mãos dos governos de Bélgica, Holanda e Luxemburgo, os investidores acordaram ontem ao som de um novo resgate na banca europeia. O governo alemão não quis deixar cair o Hypo Real Estate e, com a ajuda de um consórcio de bancos privados, avançou com uma garantia de 35 mil milhões de euros para evitar que a segunda maior empresa de crédito hipotecário da Alemanha fechasse portas. Tudo para “afastar o perigo de contágio da crise na Alemanha” e impedir “outros desenvolvimentos” no Hypo Real Estate, explicou um porta-voz de Angela Merkel, a chanceler alemã.

 

As bolsas já perdiam 2% nesta altura e os investidores ficaram ainda mais nervosos com a confirmação de que os balanços dos bancos europeus foram contaminados pela crise do ‘subprime’, sendo que, nesta altura, existem poucas soluções viáveis que não passem pela intervenção dos governos. Outro dos problemas em cima da mesa é que este contágio não se faz sentir apenas nas economias mais expostas ao dinheiro norte-americano, como o Reino Unido, mas também em países como a Dinamarca e a Islândia.

 

Em nome da estabilidade do sistema financeiro do país, o governo islandês injectou ontem 600 milhões de euros no Glitnir Bank, ficando com 75% do capital da instituição. O Estado dinamarquês, por seu turno, só não foi chamado a intervir porque o Vestjysk Bank absorveu o Bonusbanken, evitando assim a falência desta instituição nórdica.

 

“Os elos mais fracos na Europa já começaram a cair. E se os bancos não começarem a emprestar dinheiro entre si vamos assistir a mais colapsos”, sublinhou um especialista da MF Global, a maior corretora mundial de futuros, à Bloomberg.

 

Foi neste sentido que o Banco Central Europeu emprestou ontem 120 mil milhões de euros aos bancos europeus, num leilão especial que teve como objectivo aliviar as tensões nos mercados financeiros. O Banco de Inglaterra e a Reserva Federal norte-americana também intervieram no mercado, mas ninguém conseguiu contrariar a escalada das taxas de juro para novos recordes. A Euribor a três meses e a Euribor a seis meses, por exemplo, atingiram o valor mais elevado de sempre, um sinal de que os bancos desconfiam uns dos outros e que devem continuar a restringir o crédito ou a cobrar mais caro pelos empréstimos.

 

“As tensões [no mercado monetário] continuam e a liquidez está a secar.  Esta situação vai persistir, com os investidores à espera das próximas vítimas”, disse Patrick Jacq, analista no banco francês BNP Paribas.

 

Na lista de instituições europeias, a Dexia aparece como a mais bem posicionada para ser alvo de uma intervenção estatal. As acções do banco chegaram a perder mais de 32% durante a sessão de ontem e, ao início da noite, o governo da Bélgica reuniu-se para analisar a situação, sendo que uma agência noticiosa local avançou que o Estado deve avançar com sete mil milhões de euros para evitar o colapso da instituição.

 

Todo este cenário relançou a possibilidade da União Europeia ponderar a criação de um plano para restaurar a confiança nos mercados financeiros. É que 42% dos 382 mil milhões de euros de prejuízos que os bancos sofreram com o ‘subprime’ dizem respeito a instituições do velho continente. Para já, resta a iniciativa do presidente francês em reunir os países mais ricos da Europa para discutir o problema. Outra das iniciativas de Nicolas Sarkozy é preparar um encontro mundial até ao final do ano, para desenhar as bases de um novo sistema financeiro.

 

Face a estes dados, as bolsas europeias fecharam com quedas superiores a 5%, antes de se conhecer o chumbo inesperado do congresso norte-americano ao plano de Henry Paulson, secretário do Tesouro, para salvar a maior economia do mundo.



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